Com um ano cheio de filmes mediócres em suas estreias, com problemas de roteiro, edição ou tudo isso e mais um pouco, finalmente surgiu uma obra realmente boa do começo ao fim.

Doutor Estranho do diretor Scott Derrickson e estrelado por ninguém menos que Benedict Cumberbatch, o melhor Sherlock Holmes que você respeita, conta a história do neurocirurgião Stephen Strange que sofre um acidente de carro inutilizando suas mãos e como consequência, sua carreira é destruída junto com seu espirito (e também ego, arrogância e egoismo). Dê um Doutor renomado, rico e poderoso para um homem a beira da morte e das incertezas da vida.

Mas é a Marvel. A produtora de filmes com porradas fofas, em um universo em que a morte e seu significado é ignorado. Afinal de contas, quantas pessoas devem ter morrido no ataque de Nova Iorque no primeiro filme dos Vingadores? Foi aonde Batman vs Superman acertou: Mostrar as consequências das ações dos heróis; E também a Netflix, que com suas séries conseguem explorar muito bem esse lado humano da coisa. Não é atoa que Doutor Estranho é uma espécie de quebra de padrão dos filmes de heróis da Marvel, pois busca dar sentido a morte e mostrar que ela é inevitável, até mesmo para queles que buscam a imortalidade, pois, sempre existirá um fim.

O filme não é uma obra obscura do começo ao fim com personagens tentando matar seus demônios ou conviver com eles, quer dizer, é um filme da Marvel e com ele diversas piadas para quebrar o gelo – A pior piada possível foi a conversa dele com o Wung (Benedict Wong), sério, eles precisam ser mais criativos. Sendo que a única piada que eu realmente dei risada foi quando o Doutor cria um portal no hospital e deixa a Christine (Rachel McAdams) sozinha no quarto de vassouras do hospital e ela se assusta com a queda de uma após a partida do Stephen.

Falando em hospitais, a Marvel parece estar tentando assimilar o hospital como polo dramático do filme, assim como a Netflix faz,  afinal de contas, não é todo dia em que monges Tibetanos e super poderosos entram sangrando no Hospital e isso é bem entediante -se bem que nessa cena, vemos a jornada do herói, o mestre deixa o herói para que ele salve o mundo.

A batalha final, e como ela termina, é uma coisa que foge totalmente do padrão estabelecido até então: Bater no vilão até ele desmaiar. Óbvio, existe a luta contra o Kaecilius (Mads Mikkelsen), que quer destruir uma espécie de escudo que protege o mundo de criaturas de outras dimensões em, mas não é a real luta final, o último desafio. O Doutor nem sequer derrota Kaecilius, ele vai direto barganhar com Dormammu, a entidade que consome planetas para leva-los a sua dimensão em que o tempo não existe, e é nessa barganha que vem a melhor cena do filme (não a melhor cena visual) em que o doutor leva o tempo para essa dimensão e tenta um acordo com o Demônio.

Apesar do filme ter toda essa carga dramática e melancólica sobre o sentido da vida, a inviolável lei do tempo e a grande quantidade de piadas para quebrar esse clima obscuro, Doutor Estranho consegue amarrar muito bem a história não deixando nenhuma ponta solta ou ações dos personagens sem explicação. Com visuais ABSURDOS, trilhas sonora com toques de Rock Progressivo e muita pancadaria com armas mágicas, temos pela primeira vez, um filme realmente bom da Marvel.

Doutor Estranho tem visuais nunca antes visto na história do cinema, quiçá dos jogos, e o 3D é parte fundamental para assistir e se deliciar com as belas distorções da matéria ao redor. É uma mistura de Inception, Cogumelos e Heróis. Se vale a pena assistir? Eu diria que sim.