“GUERRA, MEUS AMIGOS, É UMA COISA BELA. AQUELES QUE DIZEM O CONTRÁRIO NÃO SABEM O QUE ESTÃO PERDENDO.”

Título original: Prince of Thorns, Trilogy of the Broken Empire (vol. 1)
Autor: Mark Lawrence
Editora: DarkSide
Gênero: Dark Fantasy
Páginas: 360
Ano:
2011

A história do livro é toda centrada em Honório Jorg Ancrath, um ambicioso príncipe que faz de tudo para tomar o seu lugar de direito, mesmo que isso signifique deixar um rastro de corpos e sangue – mas seu plano-mestre encontra-se em unificar todo o Império. O universo de Mark Lawrence é desolado e fascinante ao mesmo tempo. Ele nos faz pegar carona na jornada de Jorg para conhecer o que o ser humano tem de pior. A obra não tenta justificar a cada capítulo a maldade do protagonista. Ela está lá desde o grande trauma de sua infância e ponto. Não é algo que deprecie a obra e é bem crível para dar continuidade à trama. Uma tragédia que mudou o destino de muita gente.

Quando criança, Jorg, sua mãe e seu irmão mais novo foram atacados em sua carruagem por homens do Conde Renall – um dos muitos pretendentes ao trono do Império Destruído e rival do pai de Jorg. Jorg fora jogado por um dos soldados de seu pai para longe, e acabou caindo nos arbustos de uma roseira-brava. Enquanto sua mãe era estuprada e seu irmão William era assassinado, o príncipe assistia tudo, impossibilitado de fazer qualquer coisa, pois os espinhos o prendiam e o machucavam. Machucados venenosos que o transformaram para sempre na figura controvérsia na qual se tornou. O foco na saída de Jorg de seu mundinho seguro para uma vida de líder de um bando de bandidos se dá para fortalecer e construir a base de um personagem que, apesar de muito novo – com nove anos ele foge do castelo e aos 13 (e 1,90m de altura) já lidera o bando de ladrões – aprendeu a ser um assassino cruel não só por sua perda familiar, mas porque se fazia necessário nessas terras sem lei e cheias de pessoas tão ruins quanto ele.

Muitos poderiam considerá-lo um anti-herói por causa de seu trauma de infância e protagonismo, porém as atitudes de vilania e maldades gratuitas são claras demais. Um personagem sem escrúpulos, que tem profundos desejos de matança pelos motivos mais variados: a partir do momento em que ele sabe da necessidade de matar, isso fica cada vez mais fácil e banal. Seja pelo seu objetivo final ou apenas por não gostar da pessoa, Jorg pouco se hesita quando sente vontade de estocar uma adaga na barriga de alguém. É desse tipo de característica fria que o torna muito mais vilão que anti-herói, por mais que seu objetivo final seja interessante ou possa parecer legítimo. Tendo esclarecido isso, o personagem só fica mais interessante a cada página, podendo fazer com o que o leitor continue se surpreendendo com suas ações, mesmo que ele já saiba da perversidade eminente do príncipe Jorg.

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Podemos até fazer uma breve ligação com a obra de George Martin: Game of Thrones. Tanto o nome quanto algumas frases no livro nos trazem essa associação com facilidade, ainda que os universos e personagens tenham características e desenvolvimentos bem diferentes. O mundo do Império Destruído aparentemente seria um período medieval qualquer, entretanto, nos deparamos com citações a Russel e Nietsche. Somando essas referências de filósofos modernos com toda a história dos Construtores, temos a certeza de que aquele lugar se trata de algo futurístico em decadência. Por algum motivo, a sociedade entrou em colapso e retrocedeu a ponto dos homens voltarem a viver como na Idade Média. Isso aproxima Mark Lawrence à ideia da obra mais famosa de Terry Brooks (As Crônicas de Shannara), onde elfos, anões, humanos e uma gama de criaturas místicas povoam uma terra com marcas e destroços de uma sociedade mais evoluída tecnologicamente – a do nosso mundo em ambas as obras.

Magia parece ser algo comum às pessoas deste mundo. Logo de início nos confrontamos com espíritos e bruxas e um misterioso mago pagão do Rei. Esses elementos não só fazem com que o leitor se interesse mais por estes mistérios como também o faz ficar cada vez mais preso à trama, para tentar entender que mundo maluco é esse que se fez em cima de um antigo aparentemente mais evoluído. Como se deu a ruptura do mundo que conhecemos? De onde vem essa magia e criaturas das trevas? Acrescente um jogo político e muito sangue e teremos o belo começo de Lawrence resumida rapidamente. Uma ótima indicação para fugir do padrão de protagonistas virtuosos ou inseguros, mudar de ambientes acolhedores para algo quebrado e desiludido de esperança. O livro pode pecar em uma resolução rápida em demasia, já que o livro é curto e as circunstâncias cabais estavam complicadas demais à ponto de se resolver com aquela facilidade e alguns diriam até que foi uma pressa de um autor inexperiente.

Nota: 7.5/10

Tiago Amorim
Deus é top

Tiago Amorim

Responsável por não deixar a máquina do 1 Real a Hora parar. Ao invés de atacar de DJ nas baladinhas tops, ataco de escritor e tento finalizar um livro há éons de eras.
Tiago Amorim
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