Recentemente lançado na Netflix, Jadotville do diretor Richie Smyth, conta um pouco da história da missão de paz (ou sua imposição) na chamada Crise do Congo nos anos 1960 em plena Guerra Fria.

Para contextualizar, o Congo era protetorado da Bélgica e em 30 de Junho de 1960 conseguiu finalmente sua independência. E como ocorre em todo e qualquer processo deste tipo, acaba-se existindo uma turbulência dentro do recém formado país.

Uma destas turbulências foi a tentativa de separação da província de katanga do resto do país, começando com o assassinato do Primeiro-Ministro Patrice Lumumba e pela ascensão de seu sucessor Moise Tshombe que era líder do partido político pró separação, o CONAKAT (Confederação de Associações Tribais de Katanga) .

Antes do silenciamento de Lumumba, foi emitido um pedido na Organização das Nações Unidas (ONU) para que fossem enviadas tropas para a manutenção da paz, porém, por motivos políticos e ideológicos  por trás, a missão denominada Operação Morthor tinha o intuito de derrubar o novo governo de Katanga e assegurar que a província não se separasse do recém formado governo da República Democrática do Congo, mas, por diversos erros políticos o uso da violência por parte dos exército separatista junto com mercenários franceses e soldados da Rodésia (atualmente Zimbabwe) resultou num conflito que seria abafado nos anos seguintes.

Como retaliação à imposição da paz pela ONU, estes mercenários atacaram um pequeno contingente Irlandês que estava alocado na cidade mineradora de Jadotville. Com o intuito de fazer prisioneiros para serem utilizados como moeda de troca em possíveis negociações para o reconhecimento da província separatista como Estado soberano. E este episódio ficou conhecido como O Cerco A Jadoville.

O filme conta exatamente a história dessa batalha em que 155 soldados Irlandeses da ONU resistiram durante 6 dias onda após onda de ataques dos mercenários que estavam munidos de armas leves, pesadas, artilharia e suporte-aéreo. Sob o comando do sargento Pat Quinlan (Jamie Dornan) resistiram sob fogo inimigo matando cerca de 600 inimigos, porém, não tendo nenhuma casualidade mas somente alguns feridos.

Foto original dos Irlandeses em Jadotville
Foto original dos Irlandeses em Jadotville

Entregando tudo o que se espera de um filme de guerra, com 1 hora de intenso tiroteio e explosões, Jodaville consegue honrar os soldados que lutaram naquele período, pois, após estes 6 dias de intensa luta, e abandonados por seus superiores, eles finalmente se renderam quando sua munição finalmente se esgotou. Tomados como prisioneiros de guerra e libertos cerca de 1 mês depois do conflito, voltaram para a Irlanda e foram recebidos como covardes que se renderam ao inimigo. Recebendo o apelido pejorativo de Jadotville Jack (Patetas de Jadoville) e seus atos acobertados pelo fracasso da missão de paz.
E apenas em 2005, os soldados da Companhia A foram reconhecidos como heróis de guerra na Irlanda tendo um monumento erguido em Athlone e os veteranos da batalha foram condecorados com medalhas pelo seus feitos. Por fim, o filme restaura a honra dos Irlandeses, que injustamente, foram taxados de covardes perante os olhos do mundo.

Nota: 8.5/10