Essa é a segunda parte da cena do Reencontro que vimos no outro post, no link http://1realahora.com/2016/09/29/reencontro/. Fiquem agora com o desfecho dele.

Uma gota de suor surgiu na testa do Necromante. Engoliu seco, a saliva desceu-lhe a garganta depressa, estava nervoso. Foi na faculdade, mais de 10 anos atrás, a última vez que viveu uma noite ‘como se fosse a última.’ Bebida e mulheres à vontade, não era a melhor combinação para ele. Gostava de estar sóbrio na presença delas pra poder controlar sua língua, mas, ironicamente, estava ali com a única mulher com quem não precisava controlá-la. E se sentia nervoso.Admirou as curvas da mulher pelo tempo que conseguiu, sua mente de médico conhecia cada pedacinho do corpo humano e era especializada em memorizar tudo que pudesse sobre elas. Não era um trabalho divertido, mas aquele corpo, exclusivamente, fez questão de admirar e guardar cada detalhe nos cantos longínquos da mente. Ele era especial demais… Desejável demais… Único.

Enquanto ela se aproximava, levantou-se e caminhou alguns passos, aguardando que ela terminasse o caminho até ele, ofereceu uma das mãos pra que ela viesse ao seu encontro. O brilho nos olhos dela era tudo o que precisava pra se perder naquela noite. Mathylda entreabriu os lábios e aproximou-se o bastante para sentir a respiração do Necromante e descansar o busto em seu tórax. Estacionou de olhos fechados a um dedo de distância de sua boca, suavizando um nariz no outro e grunhiu de desejo. No entanto reuniu forças, respirou fundo e recuou.

Aqui não, Dexter. Resmungou tomando as mãos do legista pra si. Tem uma limusine e uma suíte no Four Seasons nos esperando. Merecemos este momento. Avizinhou-se do ouvido usando as pontas dos pés igualando as alturas e sussurrou. Te farei desejar que todas as noites sejam a última a partir de agora. Mordiscou a orelha do arquimago e afastou-se de repente dando-lhe as costas. Rumou para a saída acentuando o gingado da cintura, incitando o jogo da perseguição… O que está esperando? Riu baixinho…

Aquele tinha sido o desejo dele desde o dia em que se conheceram. Estava finalmente acontecendo e por ele poderia durar pra sempre. Esqueceu da profecia, esqueceu do futuro, só o agora importava. Tê-la junto de si por um breve instante levou suas mãos a se posicionarem na cintura dela, aguardando o momento em que seus lábios se tocariam. Mas ela era mais complexa que o previsto e se desvencilhou dele, provocando-o com uma brincadeira e uma risadinha. Estou esperando você mostrar o caminho…

A mente dele voltou instantaneamente para aquela manhã em que se viram pela primeira vez. Lembrou-se dela com clareza, pois jamais esqueceu ou esqueceria aquela imagem, aquela mulher era o exato oposto dele e, mesmo assim, se apaixonou por ela no instante em que pousou seus olhos nela. O encontro durou minutos, um café da manhã e uns meros toques nas mãos do legista, nada demais pra seres humanos, mas foi suficiente. Estava gravada a ferro na mente do Necromante e vê-la guiando o caminho só trouxe de volta as belas lembranças que possuía…

Dexter seguiu Mathylda feito um cãozinho atrás da dona. Abriu a porta igual a um cavalheiro, esperou-a cruzar a soleira e conquistou a avenida em sua companhia. Os sentidos revelaram a Nil de antes: climatizada pela brisa de outono, iluminada pelas propagandas em neon, perfumada por bacon nas fritadeiras e sonorizada pelas buzinas dos carros. Sem policiais, hélices ou sirenes perturbando a metrópole A limusine da cor da noite gastou segundos para estacionar em frente ao casal. O Necromante surpreendeu-se ao ouvir o estalo da maçaneta puxada pelo invisível cedendo passagem. Ninguém sonha em ser chofer. Quem disser o contrário está mentindo… Murmurou a Encantadora antes de seu embarque. Sua voz tinha o dom de arrepiar, mas a provocação maior fora enfrentada pelos olhos testemunhando o quadril da loira se inclinar ao invadir o veículo.

Ele observou a cidade mais uma vez, desatento.,descuidado… Se os policiais ali estivessem o capturariam em questão de segundos, pois não via nada além de Mathylda. Nem percebeu a limusine se aproximar, nem quando parou, só percebeu sua presença quando esta bloqueou parcialmente a visão da Encantadora. Estava hipnotizado, completamente entregue aos caprichos dela. Sorriu do comentário antes de voltar a sua concentração novamente pra ela e todos os sinais que ela orgulhosamente dava a ele. Seu nervosismo ia e vinha, fazendo seu coração acelerar e sua testa se contrair e encher de suor.

Acomodaram-se frente-a-frente ignorando a falta de motorista. Encararam-se debaixo de expectativaimages e risadinhas. A mulher pareceu uma predadora aprontando o banquete. Inexistia nela vontade em esconder a sombra deixada entre as coxas pelo vestido, suas mãos deslizaram pelo corpo, a língua fingiu umedecer lábios que brilhavam sob a meia-luz e o pingente gritava esmagado no decote. A ansiedade transformou a viagem de quarteirões em milênios. Ele não conseguiu dizer uma palavra por todo o caminho até o hotel, que durou uma eternidade pra ele. Não foi uma eternidade ruim, pois lhe deu tempo de admirar cada curva dela mais de perto, quase saltou do banco pra tocá-las… lutou muito pra segurar sua ansiedade, mas finalmente chegaram e poderia sentir novamente o calor da pele dela no caminho pro quarto. Desceram no estacionamento do Four Seasons entre pilastras e nada mais. Por iniciativa da sedutora andaram de braços enganchados escutando seus saltos cantarem a música dançada por sua cintura na penumbra. O legista àquela altura compreendera a situação: não fariam amor e nem transariam na casualidade de bêbados pós-balada. Ele seria usado, convertido em brinquedinho por uma decidida… seria fodido. O elevador os levou ao penúltimo andar. No elevador, ele se posicionou atrás dela, segurando suas mãos e sentindo o maravilhoso perfume dela dominar o cubículo de metal. Pensou que não aguentaria chegar até o topo sem que cedesse aos seus instintos, mas analisando melhor a situação, o fato de ela estar segurando-lhe as mãos era imprescindível pra que não perdessem, ambos, o controle ali mesmo. Contentou-se com um breve beijo nos ombros nus dela e uma fungada no cangote macio da sua companhia.

As pontas dos dedos de Mathylda abriram a porta enquanto seu perfume embebedava de luxúria o homem. hh_ste1bdrm01_15_1270x560_fittoboxsmalldimension_centerDepois vacilaram a entrada e esperaram o estalo da fechadura garantir-lhes privacidade. Então aconteceu. Chegar finalmente ao quarto foi um alívio. Os segundos que levaram pra trancar a porta foram torturantes. O prateado da noite, os sons abafados da cidade e o esvoaçar das cortinas fizeram a suíte se assemelhar aos quartos de hotéis da era das máfias. Foi neste cenário que a maga pousou as palmas nos ombros de Dexter e o empurrou até sentá-lo no sofá em L.

Naquele quarto, naquela noite, ele não faria nada a menos que ela lhe desse uma ordem, verbal ou não, pois ela o tinha dominado por completo… ou, mais precisamente, ele se deixara dominar por completo. Os passos até o sofá em L, guiados por ela. O local onde se sentaria, escolhido por ela. A posição em que estariam, escolhida por ela. Suas mãos estavam ávidas por permissão de tocá-la, de senti-la, de despi-la… Com sofreguidão as conteve, esperou paciente por meses, alguns meros segundos não fariam diferença agora. Em instantes subiu o vestido em nome da liberdade de movimento deixando a polpa e parte da lingerie de seda à mostra, abraçou-lhe as coxas usando as próprias acomodando-se em seu colo e tomou-lhe a boca esfomeada num beijo de olhos apertados. Sentiu finalmente seus lábios suavemente tocando os dela. Viu os olhos dela se fecharem e quis manter os seus abertos, mas foi incapaz disso. A Encantadora havia cancelado o teatro de mestra e escravo. Quando houve necessidade de ar, ela ergueu-se um pouco, jogou a cabeça para trás e expôs pescoço, clavícula e busto aos desejos do médico. A Encantadora era quente, macia, desinibida, intensa e se entregara…Recebeu imediatamente o convite dela, nada mais que a permissão pra fazer o que queria desde o restaurante. Envolveu-lhe a cintura com as mãos firmes e mergulhou em seu corpo, sentindo não só o calor que ela emanava, mas também o gélido coração de metal que se entrepôs entre a pele deles… O colar entre os seios ganhou a companhia do nariz, dos lábios, e da língua do Necromante. De imediato a cintura da fêmea agitou e suas coxas apertaram as pernas do homem. Ele estava acostumado a lidar com corpos humanos… era seu trabalho, afinal, mas aquele era um momento único, explorava cada alteração no relevo com instrumentos pouco comuns. Nariz, bochechas, dentes, orelhas, qualquer extensão do seu corpo era só o que precisava naquela situação. E usou cada uma delas com maestria. As mãos mergulharam nos cabelos buscando amparo contra as provocações e a sutileza de um grunhido escapou. Aquele grunhido era o sinal que esperava. Seu peito se encheu de orgulho e seus dedos afrouxaram pois ela ameaçou levantar.Então pararam e a mulher encarou o parceiro de cima pra baixo feito uma rainha esquadrinhando um súdito. Coube aos lábios finos desenharem a maldade disfarçada de sorriso enquanto as respirações sonorizavam o momento. O tempo congelou e o brilho dos olhos se fuzilando espelhou nas írises um do outro. Mathylda riu descendo do colo, recuou dois passos e deixou-se emoldurar pelo candor do luar em frente ao desejoso. Ele a observava calmamente enquanto ela olhava nos olhos dele. Aqueles olhos mágicos, e então soube o que viria a seguir e o sorriso dela só confirmou suas suspeitas. Devagar apoiou os dedos nas alças do vestido e num golpe as 28da8397541b8c5a5501da709fc3464ffashion_all_black_dress_elegant_label_claus_tyler_vienna_model_nadine_friedrich_hair_styling_make_up_nadine_ottmann_studio_dominique_hammer_photography_02livrou dos ombros. Com a intimidade protegida pela lingerie, a beleza da loira iluminou a suíte. As curvas da cintura encaixavam nas voltas do busto de pontas enrijecidas pelo prazer. A Encantadora virou-se de costas em movimentos tomados de charme, revestidos de falsa timidez, antes de puxar a calcinha pelas coxas, panturrilhas e a largar na base dos pés. Queria ele mesmo tirar as roupas dela, mas essa tarefa lhe foi negada. Se manteve sentado enquanto admirava-a dançar sua própria dança pra ele, pacientemente aguardou. Todo aquele jogo era novo pra ele, mas não se intimidou diante dele, aguardou sabiamente a hora de reagir. Girou nos calcanhares e voltou a se aproximar do legista. Afastou os joelhos do ansioso e ajoelhou-se entre suas pernas. Ajudou-o a se libertar da calça e de sua boxer sem perder sua face de vista. Ela se livrou das amarras que continham o fogo dentro dela e não tardou em fazer o mesmo com ele. Olhar naqueles olhos quase o levou ao êxtase antes da hora. Um espasmo o manteve no jogo, mas logo não conseguiria mais se controlar. Ela pareceu ver graça nas reações do arquimago. Sobretudo quando distribuiu beijos por sua pele escalando-o pela virilha até ceder o calor da boca à masculinidade do amante. E ele não teve sequer tempo de se recompor antes de sentir aqueles lábios explorando sua pélvis… Deixou sua cabeça cair pra trás no sofá, agarrou o pano do forro como pôde com força. Sua mente era um branco sem fim. A maga tomou o gosto do homem pra si decorando as respostas de seu corpo aos incentivos gerados a partir de sua sensibilidade. Ele voltou a si quando sentiu novo movimento. No bater do tédio a feminina reconquistou o colo do médico, então sentiu o deslizar dela no seu colo e ficou sem entender quando ela interrompeu o avanço do corpo, deslizou o mel de seu segredo na haste do Necromante, fazendo-o tremelicar e avizinhou os lábios de seu ouvido.

Existem diferentes versões de futuro nos esperando, Dexter. Todos dependem do que faremos agora. O que vai ser?

“O que vai fazer?” Beijou-lhe o ombro e prosseguiu para o pescoço, mordiscando a pele macia levemente. Sua boca voltou a emitir som. Um som abafado, quase inaudível, pois não conseguia conter o desejo que o consumia. O futuro pouco importa… Eu quero você aqui. Agora… Não preciso de mais nada, só de você… Respondeu, enfim.

Então me tenha… Aproveitemos o presente e façamos os riscos do futuro valerem à pena. Cochichou a loira no pé da orelha do legista.

Em nenhum momento, desde que pousou os olhos naquele mundo, ele teve tanta certeza quanto tinha naquele segundo. Estivera envolvido com a salvação do mundo. Foi citado em profecias. Passou por tantos problemas tentando convencer os outros a aceitarem os destinos que lhes eram impostos que não teve tempo de confrontar o seu. A chance chegou disfarçada de coincidência, de tentação, de um desejo incontrolável que o acompanhou do inicio ao fim da aventura que viveu nos últimos meses.

Não titubeou quando confrontado com a escolha, percebendo finalmente que até aquele momento, tudo que fizera tinha sido forçar os outros e a si mesmo a ir contra suas vontades. Percebeu a injustiça que foi imposta a cada uma das pessoas envolvidas nisso tudo. Quebrou suas próprias correntes, cedeu, como não fazia há tempos, aos seus próprios desejos. Mordiscadas, trocas de beijos e olhares sob a penumbra. Malthyda dispensou os dedos ao tomar Dexter pra si. Bastou-lhe movimentos de cintura e logo sua intimidade convidou a do Necromante para a dança dos adultos. O molhado entre as coxas auxiliou no deslizar da virilidade arrancando da mulher um suspiro de meia-altura.

Sexy silhouette of a couple

Após acomodá-lo em seu segredo, ela deu partida nas cavalgadas. A conexão entre os dois foi fácil, quase providencial. Tão natural que os fez imaginar por que ela demorou tanto pra acontecer. Adentrar Mathylda era maravilhoso, se fundir a ela, sentir o pulsar de suas veias, o arquimago sentiu-se vivo como poucas vezes antes. Admirava o movimento compassado dela, sentia cada deslocamento seguido do encaixe perfeito. Não queria que aquele momento acabasse nunca. As gotas de suor emergiram nas peles no ritmo das investidas. O mago abusou de sua posição levando a boca ao busto e usando as mãos na cintura da loira, firmando-a e facilitando seu jogo de ricochetes. Os fios da Encantadora copiaram os saltos do quadril, os gemidos dos dois lados se tornaram gritinhos e mais tarde atingiram o patamar dos urros. Uma explosão de calor e selvageria os envolveu no ápice do pecado. Um latejo da feminilidade arqueou Mathylda e induziu o homem ao apogeu. Ele chegou ao ápice com um misto de satisfação e frustração, pois estava mais satisfeito que nunca, mas odiava sua necessidade de parar. Berraram livres, abraçando o desconhecido da vida a ser conhecida à partir dali. Experimentaram a magia de um ritual conhecido pelos Adormecidos, mas nem sempre praticado com encanto.

Depositou um beijo no pescoço do artífice da vontade sem pressa de desembarcar de seu colo. Ainda sentia seu prazer escorrendo por ele, o umedecendo, os tornando íntimos… quase um só. Será ótimo tê-lo comigo, Dexter. Demorou um selinho de olhos fechados, envolvendo-o os ombros. Tenho tanto a ensinar. Fico até ansiosa em te apresentar uma pessoa. Sentiu o movimento dela se diluir em beijos menos calorosos e o corpo dela pousar sobre o seu. Ouviu novamente sua voz recitando palavras. Passou a desgostar delas quando soube que a sinfonia de instantes atrás tinha findado. Colocou uma de suas mãos nas costas da maga, quase com medo de que ela fosse levantar e abandoná-lo novamente. Sua outra mão foi ao queixo dela, levantando-a e beijando-lhe a boca mais uma vez com paixão e fogo.

As palavras fizeram seu caminho até o cérebro do legista e foram processadas lentamente. Serei o melhor pupilo que já teve. Sorriu amplamente, pousando novamente a cabeça dela sobre seu peito. Faço questão de não te perder nunca mais…

A satisfação correu pelas veias dela eriçando os pelos do corpo. Obrigou-se a descolar do Necromante sendo invadida de imediato pela necessidade em voltar. Reuniu forças e resistiu mascarada pelo pesar. Me acompanha no banho? Ele estará aqui em breve. Murmurou por trás de um meio-sorriso.

O semblante do médico mudou um pouco, assim como o dela havia mudado. É claro… Levantou-se e caminhou com ela em direção ao banheiro. “Quem será que está vindo?” Guardou pra si a pergunta, imaginando o motivo de ela não revelar a identidade do visitante por vontade própria. “O que está escondendo de mim, Mathylda?” De uma forma ou outra, logo saberia…

Novamente, créditos para meu grande amigo e Narrador, Carlos Eduardo, [caredu], e mantenho aberto o convite a todos que se interessem ou tenham curiosidade em conhecer mais sobre RPG de mesa com o RPG2ic. Me encontrem por lá como [panda] e teremos prazer em ajudar.