Com o eminente fim de Game of Thrones se aproximando, algumas pessoas começaram a ficar preocupadas, e até chateadas com a HBO e os criadores da série, por já pensarem no fim da série de maior sucesso da atualidade. Mas, pera lá, e não deveriam pensar não? Na medida em que eu começava a entrar “de cabeça” no mundo geek, uma pergunta que sempre me rondava a cabeça era se uma boa história deveria ter um tempo limite para ser contada.

Uma das primeiras coisas que comecei a acompanhar, lá por meados de 2008/2009 foi Supernatural, a primeira série que eu realmente poderia me dizer um fã. Como boa parte dos que não tinham recursos naquela época, comecei vendo a série através do SBT, e, sem vergonha de dizer, sentia supernatural-john-winchestermedo de alguns episódios das primeiras temporadas, como, por exemplo, o quinto episódio da primeira temporada, intitulado “Bloody Mary”, que retratou a lenda do que para nós conhecemos como “A Loira do Banheiro”. Apesar dos sustos das primeiras temporadas, eu adorava de paixão a série. Adorava ao ponto de não perceber a diferença entre os episódios construídos para contar a história, dos episódios fillers. Ou talvez tenha sido porque naquela época os episódios fillers eram realmente bons. Já que não havia muito distanciamento do plot principal, para os eventos de algum filler. Fui fiel acompanhante até a sétima temporada, quando em certo episódio, os irmãos Winchester acabaram por cruzar o caminho dos Deuses gregos. De inicio, eu já pensei comigo “Isso ai tem potencial. Panteão grego geraria um bom plot”. Mas, não, era apenas mais um episódio filler para encher a temporada de episódios. Nesse momento percebi que o alongamento de uma história pode ser prejudicial à mesma. E, como era de se esperar, Supernatural caiu bastante de qualidade ao longo dos anos. Se compararmos com o que foi, até a quinta temporada, parece até outra série. E talvez só piore, já que como noticiado recentemente, a série irá continuar por tempo indeterminado, até que um dos atores principais canse.

Em 2014, um amigo me apresentou Breaking Bad, que aquela época já tinha acabado, mas ele estava na terceira temporada e estava adorando a série. Comecei então a assistir, para ver se era tudo isso que ele me falava, e com o passar dos episódios, fui ficando maravilhado com o quanto os episódios eram bem construídos em relação com a história que se queria contar. Tanto é fato que a série tem pouquíssimos episódios fillers, me arrisco a dizer que só exista um, em toda a série, que é o “Episódio da Mosca”.  Quando terminei de assistir, parei um pouco para fazer essa mesma reflexão que estou tentando passar para vocês nesse texto.

Em comparação com Supernatural, que apesar de serem duas coisas diferentes, acabei por fazer pois Breaking Bad tomou o lugar de “Minha Série Preferida”, percebi a gritante diferença que existia no contexto de contar a história. Enquanto uma continua indo somente para agradar um fandom, a outra bateu o pé no chão dizendo: “Era isso que eu tinha pra lhes contar”.

Então, não é necessariamente uma regra de criação de histórias que se deva ter um tempo pré-determinado, principalmente em relação as series de TV. Até porque é sabido que na maioria delas, as temporadas são ditadas de acordo com o sucesso da série. Mas, acho que o alongamento demais de uma história, acaba por no fim, depreciar a mesma, transformando aquilo que um dia foi bom, em algo sem graça e insuportável, mas que apenas continua devido ao sucesso construído no passado.

Ubirajara Júnior

Ubirajara Júnior

Estudante de TI. Viciados em jogos e na temática de super heróis. Amante de Heavy Metal. E, é só isso pessoal
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