Berserk, obra de Kentaro Miura, a qual ele utiliza para trazer a tona o que de mais macabro a mente humana é capaz de imaginar, com direito a cenas que seriam absolutamente inaceitáveis fora do universo dos mangás e animes, que sem querer passar a ideia errada mas já passando, são extremamente permissivos, volta agora como anime. Tá saindo da jaula o monstro (perdoem-me pela piada)!

Aqueles que acompanham Berserk sabem que os acontecimentos posteriores ao fatídico evento do Eclipse nunca foram retratados na animação… Até agora. A proposta de Berserk de 2016 é justamente essa, e podemos dizer que o faz a passos rápidos, nesse artigo vamos falar do Episódio 01, que já se inicia com o encontro dos Cavaleiros da Santa Corrente de Ferro com o “lago vermelho”, o local onde teria acontecido o Eclipse, temos inclusive um corte que mostra Schierke, a bruxinha que vai aparecer muito depois no mangá.  Depois disso nos encontramos no início do arco do Espadachim Negro, aquele que se passa no prólogo do mangá. Guts salva a fada Puck, mas é importante observar que é inserido já aqui o personagem do moleque Isidro, que ninguém liga, e que irá seguir Guts depois, as diferenças em relação ao mangá não param por ai.

De importante temos em seguida a representação da clássica cena da luta na floresta, em que a pobre menina morre de forma chocante, depois da luta ocorre um grande salto na história. Para quem não lembra bem, Guts encontra pela primeira vez os Cavaleiros da Sagrada Corrente de Ferro e a importante personagem Farnese imediatamente depois da absolutamente sangrenta batalha do arco das Crianças Perdidas (Guts é literalmente o homem mais azarado do mundo), arco esse em que o Guts, para variar, sofre inúmeras mutilações e não morre por pouco ao enfrentar a garota mariposa. Quem leu lembrará do seguinte momento memorável:

A questão é que Guts está muito ferido depois dessa luta, e é somente por isso que o embate com os Cavaleiros acabará da forma que será mostrado no próximo episódio. Como esse arco inteiro foi pulado pelo novo anime, eles inseriram uma história diversa sobre as árvores da floresta onde Guts enfrenta os esqueletos, a questão é que a árvore vira um monstro enorme e Guts fica ferido por enfrentá-la. Logo em seguida, os Cavaleiros o encontram encerrando o episódio. Até que foi uma adaptação boa da história, o ritmo acelerado que ela aparentemente terá no anime é agradável, uma vez que Berserk reúne uma gama de acontecimentos memoráveis que nós queremos presenciar o quanto antes. Mas nem tudo são flores e vamos falar do tema que intitula o artigo, a animação.

O anime alterna entre animação tradicional e CGI, os momentos animados normalmente são bem competentes, o que contrasta fortemente com os CGI, é impossível não falar dessa cena da abertura que está inclusive no trailer, Guts caminha em direção a tela da forma mais robótica possível, nos sentimos jogando Playstation 2. De modo geral isso irá se repetir em todas as cenas animadas em CGI, a expressão dos personagens torna-se nula ou fraca nesses momentos e sua movimentação bem travada, a cara do Puck mostra bem isso, embora uma imagem congelada seja insuficiente para demonstrar:

Isso tudo me parece apenas economia de dinheiro, já que dá sim pra fazer animação nesse estilo com competência, é só ver os jogos de Naruto Ultimate Ninja Storm. Enfim, vamos a um veredito sobre esse primeiro episódio:

Adaptação – Boa! É interessante eles acelerarem a história para que possamos ver em animação os grandes momentos posteriores ao Eclipse.

Trilha Sonora – Boa! O uso da trilha está competente e empolgante.

Animação – Fraca! O fato de ela estar muito mais agradável nos momentos que CGI não é utilizado só nos deixa mais irritados quando o modo robô é ativado.

Vale a pena assistir? – Nos remetemos agora ao título do artigo, é Berserk, são momentos nunca antes animados, queremos muito ver isso, épico é pouco para chamar as batalhas que estão por vir, quem é fã de Berserk vai assistir, animação estando boa ou ruim nós iremos engolir.

Mas bem que podia ser um pouquinho melhor né? 🙁