No dia 07 de setembro de 2013 foi lançado no Japão o filme em CGI intitulado “Uchū Kaizoku Kyaputen Hārokku”, ou “Capitão Harlock: Pirata do Espaço”, nome utilizado oficialmente aqui no Brasil – quase todos os nomes dos personagens foram adaptados do japonês para o inglês e a versão dublada oficializou essa adaptação, logo iremos nos referir aos nomes que foram usados na versão brasileira. O filme chegou ao Brasil apenas em 01 de agosto de 2014, pelo serviço de streaming da Netflix. É uma adaptação de um mangá criado por Leiji Matsumoto chamado “Capitão Harlock e a Nave Arcádia”, de 1977 e ganhou sua versão anime para a televisão em 1978.

O filme foi a segunda maior produção da Toei Animation, que gastou 30 milhões de dólares em sua produção – atrás apenas de Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário – e arrecadou apenas 17 milhões de dólares em sua receita mundial e 7 milhões em sua receita nacional, motivo de ser considerado um grande fracasso financeiro. Mas apesar desse prejuízo e de ter deixado a crítica dividida, o filme foi nomeado para o Prêmio da Academia Japonesa de Melhor Animação do Ano e ganhou o prêmio Lumière pela Melhor Longa-Metragem Internacional em 3D – na categoria Animação e o Prêmio de Artes Criativas em 3D, em 2014.

Levando em consideração todos esses aspectos divergentes, “Capitão Harlock: Pirata do Espaço” mostrou-se um filme bastante crítico em relação à própria humanidade e aos governos que tendem sempre a esconder a verdade da população e mantê-la no escuro. Além de abordar temas bem comuns, como liberdade e escolhas morais, “Capitão Harlock” foca em questionamentos que vão muito além desses clichês, usando os dois personagens mais importantes da trama (Harlock e Logan) para nos fazer questionar decisões que implicam não só a liberdade individual, mas também a de toda a sociedade. Elucida os perigos de manter tanto poder nas mãos tanto de um governo quanto de um único indivíduo e nos mostram as consequências destrutivas quando se faz mau uso disso.

As diferenças da obra original para o longa são diversas, principalmente tratando-se da trilha sonora, que é bem mais instigante no anime, mesmo que o filme tenha alguns bons momentos em relação à sua música de fundo. Em apenas 01h51min de filme, temos direito a apenas uma aventura à bordo da nave Arcádia, ao invés de várias. Algo normal de adaptações, trazendo uma dificuldade para o desenvolvimento de alguns personagens e a inclusão de outros do anime, deixando aquele universo grandioso de “Capitão Harlock” um tanto quanto limitado, e às vezes deixa a impressão que muito potencial fora desperdiçado.

O fato de Logan ser o protagonista, deixando Harlock em segundo plano, mais como aquele personagem coadjuvante superinteressante e misterioso não foi uma boa decisão. O jovem que inicialmente tinha seus próprios interesses em relação aos segredos da nave Arcárdia e com coalisão GAIA, acaba sendo influenciável muito facilmente –por ambos os lados.  O problema é que Harlock deveria ser o verdadeiro protagonista nisso tudo, pois todo o desenrolar dos problemas deste filme se dão por causa dele e suas decisões. No final das contas, Logan desempenhou o papel de um coadjuvante importante, mas apenas o “tempo de tela” que o configura como principal. E para os fãs mais nostálgicos, isso é até um pecado, sendo que o capitão foi um grande protagonista dos anos 70. Até que é compreensível uma mudança de ponto de vista na história, mas logo com uma obra que não é tão difundida na cultura pop? Faltou uma chance para que a nova geração pudesse conhecer o incrível personagem que capitão Harlock é.

Um dos pontos mais positivos do filme chama-se Arcárdia. Fizeram com que a nave pirata espacial de Harlock se tornasse quase uma entidade, graças à matéria escura – mesmo sendo resultado de experimentos científicos, é um elemento que puxa mais para o fantástico na obra – a nave de elite se torna algo único e praticamente inalcançável. O desenvolvimento por trás de Arcádia é tamanho que não cabe numa resenha sem spoilers.

Apesar dos problemas acima citados, e alguns personagens mal explorados e até pouco aprofundados – como um membro do bando de Harlock que só serve de alívio cômico –, a produção da Toei Animation merecia o sucesso que “A Lenda do Santuário” conquistou, mesmo sendo um fracasso de filme, coisa que ‘Capitão Harlock: Pirata do Espaço” não é.

Tiago Amorim
Deus é top

Tiago Amorim

Responsável por não deixar a máquina do 1 Real a Hora parar. Ao invés de atacar de DJ nas baladinhas tops, ataco de escritor e tento finalizar um livro há éons de eras.
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