“O som abafado de minha cabeça encostando o solo, me fez repensar em tudo. E a conclusão foi que faria tudo de novo, só que com alguém.”

— Rei Xamã

Olho para o céu a alguns dias, e prevejo minha morte diferente em todos eles. Não sei se é carma, ou simplesmente sonhos acordados.

Quando era jovem…

— Hey Larry, aonde vai? – dizia Laus.

— Eu? Nem mesmo sei, me disseram que os militares estão recrutando no centro na cidade.

— Contratando para que exatamente? A guerra contra os elfos já acabaram a muitos anos – disse rindo.

— Você não soube? Ocorreram novas invasões no castelo, porém o que vamos lutar agora é pior que elfos, entraram lá sem ninguém ver, – disse sério – apenas sentir – disse rindo – eles fediam muito, e essa é a única pista que temos.

— Então quer dizer que… mais problemas para nós, mais mães que ficaram sem maridos e filhos? Esses invasores nem foram identificados, não há o que combater então, deixe que eles cuidem disso eles mesmos, não seja idiota e fique.

— Já entendi; você não da à mínima para isso, te conheço desde que você mudou para cá, a oito anos, e ainda assim não te conheço realmente.

Larry pegou e deu as costas para Laus seguindo para o centro da vila.

Laus ignorou o convite e voltou para casa. Ao chegar lá, sentiu um ar fétido e poluente. Entrou assim mesmo. Viu sua mãe presa numa faca pelo pescoço na parede, com sua irmãzinha recém-nascida no colo da mãe ainda, chocado, entrou mais adentro e viu seu pai completamente desfigurado. Apenas o reconheceu por um bracelete, que todos os homens da família dele têm.

Ele ajoelhou no chão, desesperado e chorando, perguntando aos deuses o porquê daquilo. Não recebeu nenhuma resposta. Ele se apoiou para se levantar, mas a dor das perdas dele era tão grande, que ele não conseguiu de primeira, mas juntou forças e levantou-se. Ele não percebeu, mas seus olhos estavam brilhando; num tom acinzentado e azul. Ao levantar-se completamente, sentiu uma fadiga, e seu autocontrole foi destruído. Ele criou uma barreira, não muito espessa, mas foi o suficiente para ela expandir-se bastante. Essa barreira tinha forma de uma cúpula, era levemente azulada e transparente. Ela implodiu.

— Ai minha cabeça – disse Laus saindo olhando ao seu redor – o que aconteceu aqui? – A cena que ele viu, era inimaginável, escuro; tudo estava completamente queimado – catapultas? Não, não pode ser, isso está muito destruída e eu… eu estou nu! E vivo. Como pode… espera minha mãe – ele olha ao redor e só vê destruição.

Ele se levanta, tapando suas partes para o nada, e vê que está em uma pequena cratera. O que ele queria saber, era como ele conseguiu sobreviver a isso.

— Larry, cadê você seu grande comilão? – se perguntava ele andando pelo e para o nada. Ele anda por longas horas e não consegue chegar a nada.

O corpo de Laus não resiste ao cansaço, ele desmaia.

Ele acorda com a visão borrada. Está em uma especie de cabana.

— Até que enfim acordou – disse um homem alto – a partir de hoje, você esta condenado a morte por destruir um reino inteiro.

“Reino inteiro?” pensou ele.