Andei meio ausente do blog, mas retorno a vocês com um pouco do que sei fazer de melhor… Jogar/Narrar RPG!

Existem muitas formas de se jogar/narrar RPG (role playing game ou jogos de interpretação de personagem) por aí, algumas mais fantasiosas, como 3d&t ou D&D, e outras mais voltadas pra realidade, como WoD (World of Darkness ou Mundo das trevas) e GURPS. Trago a vocês um pouco mais sobre meu estilo de RPG favorito: WoD.

Embora seja uma recriação de realidade, WoD não é totalmente desprovido de fantasia, lembrando que RPGs são jogos de imaginação, WoD se apodera da realidade de uma forma sombria e cruel, na maior parte do tempo, já que muita gente afirma que a vida é injusta e o mundo um lugar horrível, WoD potencializa esse sentimento e proporciona aos seus jogadores uma experiência desesperadora e, ao mesmo tempo, esperançosa, afinal, nem tudo no mundo está ali pra te prejudicar, certo?

Pra vocês que não conhecem, conhecem pouco ou ainda tem curiosidade de conhecer, trarei a vocês alguns BGs (background ou históricos) de personagens pra inspirar e, quem sabe, encorajar futuros jogadores/narradores por aí. Fiquem agora com a bela leitura do BG da Marie, uma acompanhante de luxo, e uma noite… diferente…

“Boston, 01 de março de 2014.

Suíte Presidencial do Hotel Four Seasons

Rua Boylston, nº 200

Marie apreciou o dinamarquês pouco antes de transformar sua ereção em entretenimento para lábios, língua e garganta. Impôs sutileza aos primeiros movimentos e acelerou de acordo com a ascensão da fome. Qualquer voyeur mirando a cena julgaria e condenaria a loira igual o bonitão de pernas bambas fizera: “Uma linda e bem educada assim só está nessa graças a uma série de tragédias”. Mas os olhos apertados e o melado que escorria pela parte interna das coxas àquela altura contestavam a obviedade da teoria. A acompanhante tinha sim drama, horror e terror em sua história. Porém estava na cama mais por prazer que por dinheiro. Isso os homens não compreendiam, incapazes de aceitarem uma mulher com mais libido que os próprios. E da incompreensão ela juntou as pedras para fundar sua fortaleza.

Seria outra madrugada devota ao capricho e prazeres do milionário. Sorvia o sujeito com selvageria e os guinchos conquistados alimentavam seu orgulho. Porém algo foi diferente. A musa espiava as contorções do cliente com olhos que misturavam perversidade e ternura. Estava se deleitando quando de repente sentiu a boca queimar. Não soube de imediato se rompera algum limite da sacanagem e alcançara o nirvana ou se o homem guardava mesmo todo aquele calor. Arriscou constatar quão enlouquecido o amante estava e encontrou a imagem mais bizarra de sua vida.

O galã não estava mais lá. Maria sugava o membro de um monstro metade homem, metade touro. Chifres de fogo e corpanzil repleto de músculos que fediam enxofre. Sua voz arrepiava como trovão.CHUPA VADIA! O anil dos olhos percorreu a suíte presidencial que… não existia. As paredes se transformaram em terra. O inverno de neve evaporou com o calor que lhe arrancava mais suor do que tinha a oferecer.VOCÊ VAI APRENDER A DOMINAR SEUS PECADOS, PUTINHA.

Palavras que reproduziram na cabeça de Marie durante uma sessão de tortura física e psicológica. Açoitada, violentada e surrada. O corpo tinha queimaduras e não resistia mais quando a criatura rasgou a pele e brincou de médico do jeito ruim. Cirurgia sem anestesia. A acompanhante sentiu o borbulhar de um desejo. Sua mente estava invadida por ideias como “Mate-se”, “Morra”.

A dilacerada apagou e acordou somente quando a presença do demônio ausentou. Ainda estava numa gruta do inferno cercada por tons marrons e vermelhos. Engatinhou sua humilhação pelos túneis certa de que morrera. Os corredores se estreitaram e desembocaram num salão em chamas. No centro havia uma fornalha coberta por nomes em diferentes idiomas. Marie se arrastou não se importando com as pelancas de pele e sangue que deixava para trás. Chegou ao destino incendiada. Não havia pele na ponta dos dedos e foi com os ossos que gravou seu nome na caldeira.

 Acordou na suíte presidencial com formigamento e latejar entre as pernas. Os lençóis estavam bagunçados sobre o colchão. Mas o que mais chamou a atenção foi o frio de trincar os ossos. A loira buscou o motivo e encontrou vazio onde havia uma janela que ia do chão ao teto. Tremeu até a ponta do precipício e espiou. Seu cliente estava no chão. O voo de dezesseis andares o reduziram a uma panqueca de carne, ossos e sangue.”

Créditos do BG vão pro meu grande amigo e narrador, Carlos Eduardo. Nossas sessões são regulares e online através de um programa chamado RPG2ic, que pode ser adquirido no link abaixo, meu nick é [panda] e o do meu narrador é [caredu]. Quem ficou interessado, pode procurar qualquer um de nós no 2ic.

Um abraço a todos e bom divertimento a nós, RPGistas!