Imagine uma serpente gigante capaz de causar cegueira, alucinações e efeitos psicológicos irreversíveis nas pessoas. Agora coloque tudo isso numa criatura que pode arder seu corpo em fogo e sequer pode ser considerada um animal vivo. Esse é o Boitatá (cobra de fogo, na língua indígena Tupi), lenda bastante conhecida do nosso folclore brasileiro. Mas por que algo deste nível não é tão apreciado quanto criaturas de mitologias estrangeiras?

Segundo o pessoal do site Batalha de Mitos, o Boitatá é capaz de enfrentar até mesmo os grandes Dragões que tanto gostamos de ler em histórias épicas e vislumbrar sua imponência nos cinemas. Este humilde escritor que vos fala concorda plenamente com essa colocação, acrescentando que nosso bestial é ainda superior à maioria das criaturas de RPG e ficção em geral. Contudo, antes que alguém venha acusar este texto de preciosismo nacionalista, convido o indivíduo a ler algumas características que pesam para o lado de nossa serpente de fogo brasileira. Tais como:

  • O Boitatá não é apenas uma grande serpente de fogo, ele também possui resistência a água e até vive dentro de rios e lagos (assim como em toda floresta). Mesmo os dragões têm fraquezas referentes ao seu elemento oposto.
  • Não é um ser vivo; A lenda retrata o Boitatá como uma alma penada protetora da floresta, matando os homens que tentam queimar suas árvores. Seu fogo é mágico e não é destrutivo para os animais e plantas, apenas para seus inimigos.
  •  É uma entidade tão antiga quanto o dilúvio (segundo a versão da lenda do sul do país); Não existem Boitatás, apenas um. Uma criatura ancestral que devorou os olhos de tantas criaturas que começou a mudar sua natureza para o que é conhecida.

 

 Lembrem que o Boitatá
Pode ter seus dois formatos
Com sua chama ele queima
Quem põe fogo lá nos matos

Protegendo as florestas
Desses homens insensatos

Pare já os seus sapatos
Se algum dia o encontrar
Não respire, fique imóvel
Feche os olhos sem pensar
Se você tentar fugir
Boitatá vai te pegar
O folclore brasileiro está recheado de criaturas poderosas e interessantes. Podemos não dar o devido valor à elas por estarem atreladas a livros e histórias infantis. O intuito deste post não é de desmerecer a grandiosidade das criaturas de outras nações, mas colocar em evidência de que temos sim, uma mitologia bastante rica e poderosa, não obstante desvalorizada por meros incautos – que provavelmente correriam de medo na presença do Boitatá, sendo que a melhor alternativa é tapar os olhos e ficar parado.
O que temos aqui é uma mistura de Basilisco (serpente que causa alucinações e possui visão mortífera/petrificante), Dragão (serpente de fogo) e Lich (criaturas em geral que são mortos-vivos). Levando em consideração essas informações e curiosidades sobre o Boitatá, ainda assim você não ficar com vontade de incluí-lo em sua próxima aventura de Dungeons & Dragons, meu amigo, você pode voltar para seu mundo habitual, em contrapartida perderá a chance de tornar sua campanha ainda mais divertida e emocionante. A quem for mais astuto e visionário eu deixo a seguinte indagação: Como faria para seu grupo derrotar o Boitatá?