Por Tiago Amorim
Era uma loja de doces
com uma aparência antiga e nada chamativa. Nem mesmo para ser chamada de
exótica ela servia. Os poucos indivíduos que ainda frequentavam o lugar se
encontravam em um desses grupos: pessoas perdidas e pessoas curiosas, que viam
o que tinha lá dentro, mas logo saiam. A cara do vendedor também não ajudava muito
nos negócios. Um velho de rosto afunilado, que mais lembrava um rato, tinha
seus cabelos brancos e compridos, ainda que tivesse uma careca no topo da
cabeça. Sempre encarava os possíveis clientes com uma expressão de desdenho por
trás dos oclinhos, algumas vezes até encarando-os de forma desconfiada.
Certa vez, um garoto
resolveu fugir da última aula de sua escola para perambular pelas ruas do
centro da cidade. Acabou caminhando mais do que gostaria, porém, acabou
entrando numa rua apertada e nada convidativa. A loja de doces chamara sua
atenção.
Abriu a porta e a velha
sineta anunciou a chegada de um visitante no recinto. O velho, mexendo em
algumas coisas que não davam para serem vistas pelo garoto, não deu muita
atenção e permaneceu atento ao que estava fazendo. O garoto, ignorando a
presença do vendedor aparentemente desatento a sua chegada ao local, começou a
bisbilhotar a lojinha com seus olhos e mãos. O homem permanecia alheio à
situação.
– Nossa, têm teias de
aranha nas caixas dos doces. – Irrompeu o garoto, quebrando o silêncio com sua
voz aguda e em tom de reprovação.
O vendedor inspirou,
respirou, e com uma voz cansada e sem interesse, respondeu com um tom bem
paciente e solista.
– Os doces não têm
saído muito ultimamente.
– Dá pra perceber! –
disse o garoto, insistindo em sua postura agressiva – Aqui pelo menos tem
daquele chiclete que muda a cor da língua?
– Ah… Esses acabaram
há tempos – Respondeu o velho, soltando uma risadinha amistosa.
– Nossa… E minhocas
cítricas, vocês têm?
– Infelizmente,
acabaram-se todas…
O menino aproximou-se
da mesa de onde o velho vendedor estava remexendo suas coisas sem prestar
atenção nele e propositalmente começou a remexer uns doces em formas
geométricas, tirando-os do lugar e os deixando em cima da mesa. Apesar de
sujos, eram as coisas mais coloridas dali.
tudo velho por aqui. Vocês tem pelo menos alguma coisa que
preste aqui pra vender? – Insistiu o menino, já irritado.
O vendedor fez um leve
barulho ao fechar de supetão sua gaveta. Agarrou rapidamente o braço fino da
criança com uma mão. Estava segurando na outra uma antiga navalha. Um sorriso
brotou naturalmente do velho, ao responder: Agora
temos.