Por Leandro Barcellos
O solo sombrio da jazida de
Sultar não escondia o sangue derramado de uma guerra macabra, o vermelho-escuro
aberto pelas fendas nos corpos dos guerreiros manchava a honra de um planeta
que um dia fora pacífico. Os orcs lutavam por sua sobrevivência, a aliança
feita pelos samurais e todos os subordinados do mago Rofustos era efetiva, mas
a horda do mago Sultar não desistia.

Os samurais brandiam suas espadas e se moviam de acordo com o fluxo do vento,
eram rápidos e eficazes, suas espadas afiadas rompiam a barreira das armaduras
de topázio, mas os orcs eram grandes guerreiros, a tática usada pela horda
somava com a poderosa magia embutida nas armas, equilibrando a batalha
fielmente.

Finalmente um homem mudou o rumo da história, Rofustos encheu seu coração com
ódio e rancor, bateu seu cajado contra o chão e o elemento fogo irrompeu do
céu.

  Orcs temeram a façanha do mago,
Rofustos desembainhou uma pequena lâmina e investiu contra a poderosa horda que
já era massacrada pelas chamas odiosas. Os samurais que lutavam por Higgar
decidiram atacar de uma forma repentina, todos eles investiram e lançaram
golpes fatais contra os Orcs.

No momento em que Rofustos cravava sua lâmina no peito de um dos seus inimigos
uma nave pousou na colina acima da Jazida.
– A vingança virá em breve –
disse Sultar em uma voz mágica que soava calma e ativa mesmo com a distância da
nave para a batalha – vocês não sabem nada sobre o universo, eu não sou o verdadeiro
inimigo desse lugar.

Rofustos desprezou a batalha e lançou suas chamas contra o mago sombrio, de
nada adiantou, Sultar havia planejado uma barreira mágica que retalhou o fogo
contra o seu próprio exército.

– Não seja tolo Rofustos – disse novamente Sultar – sua ignorância matará seu
povo, sua prepotência mostrará quem está certo, nós precisamos lutar juntos
contra o mal que assola o universo e acabar com o topázio de uma vez por todas.

A nave sumiu, Sultar conseguiu fugir da emboscada fatal que os guerreiros
contratados por Elizeu haviam elaborado com o experiente mago Rofustos. As
falas do líder sombrio ainda contaminavam a mente de todos, Sultar falara que
sua atividade com o Topázio era para erradicar o metal e o mal do universo,
algo realmente pertinente para alguém que desejava o bem universal, mas
Rofustos olhou para o lado e viu um dos Orcs sendo decapitado e o seu elmo era
feito de topázio – Topázio fundido para servir de benefício bélico contra
outros soldados?
Os subordinados do império de
Áurea Villa hesitaram e não atacaram por um curto tempo, seu mestre mandou que
continuassem e devastassem a jazida. Alguns pareciam acreditar em Sultar pelo
simples fato de não haver mais nenhuma resistência dentro da horda de orcs.

Enquanto a dúvida pairava na mente dos guerreiros de Áurea Villa os Samurais
protagonizavam uma carnificina, sem nenhuma piedade e com extrema habilidade os
homens de Higgar terminaram o serviço e deram fim macabro aos orcs, alguns
homens de Raishin foram mortos, dois ou três, nada mais que isso, mas o resto
não possuía ferimento algum.
– Obrigado, eu sabia que Raishin
acreditaria em mim – disse Rofustos recolhendo o material de topázio.

Os samurais assentiram, não havia uma liderança efetiva. Uma pequena mulher
vestida com uma armadura de samurai completa feita de couro bordado com seda e
coberta por metal nas partes vitais avançou até o Rofustos.

– Meu nome é Magnar – disse a pequena – sou futura princesa de Higgar.

 Rofustos a encarou com descrença e
alguns samurais esboçaram risadas. A menina olhou com desprezo para seus
companheiros e concluiu:

– Somos o clã dos samurais de Higgar, servimos ao poderoso Raishin, vocês podem
sumir do nosso planeta agora!

Alguns samurais protestaram, a postura da pequena guerreira não era nada
amistosa e o exército de Rofustos estava em maior número, dessa vez eles não
seriam surpreendidos.

– Queremos destruir essas armaduras – respondeu Rofustos – prometo que sairemos
de seu planeta sem muito alarde.

Os samurais se impressionaram com o aspecto inofensivo do mago. Os contratados
por Elizeu eram homens comuns e bem treinados, a tática de guerra utilizada por
eles era bem simples e eficiente – 
semelhante aos samurais – Alguns dos soldados de Rofustos eram
feiticeiros do elemento fogo e suas armas eram totalmente elementais, outros
eram guerreiros espadachins, ele possuiam possuíam um diferencial, seu próprio
líder, talvez Raishin fosse um diferencial, mas ele não estava no comando dos
samurais. Raishin foi um líder ousado, arriscou a vida de seus soldados para
partir em uma jornada quase impossível, a vingança premeditada contra o
imperador Elizeu.
 

Do outro lado do pequeno mundo o império de Elizeu havia encontrado os dois
samurais, Raishin estava com Zangarleft em sua mão e Tazz carregava uma katana
negra em seu dorso. Elizeu não conhecia os dois samurais e menosprezou a
presença de ambos.

– Caminhem homens e deixem um pouco de esmola para esses pobres homens de
Higgar.

Os soldados de Elizeu soltaram gargalhadas e lançaram frutas ao chão, Raishin
se enfureceu e clamou por magia, a sua espada logo respondeu, um raio azul
irrompeu de Zangarleft atingindo dois soldados, o raio azul foi tão poderoso
que fez o cavalo de Elizeu relinchar, os soldados morreram instantaneamente.

Os guerreiros de Áurea Villa se postaram contra a dupla.
– Ao combate homens! – gritou um
deles.

– Combate meus amigos, é o termo que vocês não deveriam desejar contra nós dois
– disse Tazz.

E então a lâmina negra semeou o impossível.

Raishin sabia da força de seu melhor amigo, sabia de todo seu dom atlético e da
sua brutalidade. Tazz era conhecido com a fera negra, um homem cujo a face
simbolizava o prazer de matar, ele nunca havia matado homem algum, seu instinto
clamava por destruição.

Os primeiros movimentos de Tazz foram altamente calculados, ele desviou de uns
vinte ou vinte e cinco ataques, ele saltou, rastejou, esquivou, retalhou e o
mais importante contra-atacou todos os golpes dos soldados de Elizeu. Os
movimentos eram extremamente rápidos a lâmina negra também ajudava, Tazz e sua
katana formavam uma dupla incrível de homem e objeto.

– Pelos Deuses! – praguejou um soldado – essa espada parece estar viva.

Elizeu recuou com o seu cavalo e deixou que seus homens da linha de frente
fizessem o serviço, mas eles não fizeram, em poucos segundos os primeiros
ferimentos fatais foram aparecendo e o primeiro plano de Elizeu parecia cair.

Raishin também entrou na batalha, Zangarleft era ainda mais implacável que a
lâmina negra de seu amigo, a espada mágica defendia os golpes que o seu dono
não via, os raios azuis cintilavam e uma defesa emergencial era criada.

– Fique atento! – bradou Tazz – não estamos enfrentando felinos da nossa
floresta, essa é uma batalha de verdade!
  

Raishin sabia – essa era a batalha de verdade – ou não, o seu plano de
enfrentar um exército com seu melhor amigo ao lado poderia ser loucura. Raishin
conseguiu concentrar seus pensamentos nos ataques e mostrou que não deixava a
desejar quando o assunto era luta com espadas.
Zangarleft era a mistura perfeita
entre a beleza e o poder, seu ornamento de topázio brilhava quando atingia o
corpo de um inimigo, seus raios continuavam precisos quando Raishin vacilava e
deixava sua defesa aberta. Se Elizeu possuía um exército inteiro ao seu lado, o
seu irmão de espírito possuía Zangarleft, que valia por um exército ou até mais
que um.
A primeira linha de Elizeu caiu,
os soldados da segunda hesitaram e ficaram imóveis ao ver que mais de vinte
guerreiros tinham morrido por uma simples dupla de samurais. Elizeu tirou dois
pequenos martelos de sua bota, segurou cada martelo com uma mão e os arremessou
contra Tazz.

– Morra seu negro desgraçado! – disse o Imperador.

Raishin não teve tempo para ajudar seu amigo, as pequenas marretas atingiram o
peito de Tazz que caiu no chão agonizando e gritando de dor.

– Esse animal quebrou minha costela! – disse Tazz tentando se levantar –
Raishin não me decepcione, mate-o e retome o império para a alegria de nosso
mestre Vittor.
Negro desgraçado, a
fala de Elizeu despertou um ódio descomunal no líder samurai. Sim Tazz era
negro, mas para os seus amigos em Higgar isso não fazia a menor diferença, ele
não era tratado de forma repugnante.

– Você ainda vai lutar, eu o conheço – disse Raishin – sei que quer mais sangue
dos traidores.

Tazz sorriu – seu amigo realmente o conhecia.
Dentro da Jazida de Sultar não
havia mais confronto, Magnar ajudava Rofustos a recolher o topázio para depois
destruí-lo. Os subordinados do mago seguiram pelo túnel aberto pelos  orcs, ainda havia alguns orcs vivos que foram
lutar contra o exército de Elizeu, uma pequena horda que seria facilmente
derrotada pela tropa de Rofustos.
Os samurais investigaram a jazida
e tiveram uma surpresa, a quantidade de topázio que fora usada para o
equipamento dos orcs não era nem a metade do topázio existente no local,
algumas sacolas foram encontradas, dentro delas o topázio bruto era abundante.
– Não vamos conseguir destruir
todo esse material em um dia – disse um dos samurais.

– E precisamos ajudar Raishin e Tazz contra Elizeu – disse outro – vamos embora
Magnar, essa missão não é nossa.

De fato não era, mas a menina sentia que ela precisava ficar ali, Sultar havia
mencionado algo sobre acabar com o topázio para estabelecer uma paz universal.
O mago sombrio era um homem repulsivo, porém sua expressão parecia ser
verdadeira.

Magnar demorou para responder, ela tinha que decidir entre uma possível paz
universal e colocar a vida de seus amigos em risco.

Com o certo e o dúvidoso para escolher ela ficou com o certo.

– Vamos Partir para o império de Elizeu e ajudar nossos amigos.

No lado oposto da Jazida a batalha que começara com uma vantagem assombrosa
para a dupla agora estava fadada ao fracasso, Raishin tinha a responsabilidade
de lutar por um reino sozinho, Tazz estava machucado e por tempo indeterminado
ficaria no chão fora de combate.

– Avancem Homens! – gritou Elizeu.
Os soldados de Elizeu investiram
contra um único homem, tudo aquilo que fora construído por Vittor seria
destruído em segundos, com a morte de Raishin a Nova Higgar não teria uma
liderança adequada para combater Elizeu e restaurar a paz no planeta, não teria
um diferencial que faria de um simples reino um exemplo de harmonia.

Raishin fechou os olhos e sua postura mudou, sua feição mudou, suas
características corporais também mudaram. O samurai que lutava pela glória de
Higgar se transformou em Eitor, o primeiro príncipe do reino, filho de
Baltazar, o primeiro detentor de Zangarleft.

A espada de topázio respondeu em um salto luminoso que fez com que ela ficasse
totalmente azul e coberta por magia. Um gritou gutural saiu da garganta de
Eitor – Raishin:
– Vai Zangarleft!

A espada liberou um azul fúlgido e disparou…