Por Matheus Felix

Eles
estão no livro, não estou mentindo, os mitos estão lá, e eles são mais reais do
que tudo a sua volta, não estou mentindo. Por que mentiria? Quando as lendas se
tornam reais, não existem homens mentirosos… ou sãos. Você não sabe dela,
poucos sabem, a ilusão é mantida para que a sociedade possa viver como é; para
que não entremos em perigosos planos, para que não sejamos calcinados em nossos
próprios pecados, que se rebelariam contra nós assim que soubéssemos da
verdade.
Já se
perguntou por que seu Deus não responde as suas preces? Já se perguntou por que
ele é tão cruel com alguns e bondoso com outros, sem qualquer motivo aparente?
É por que ele foi domado. Há muito tempo, em éons antigos, tão antigos que, o próprio
tempo se recusa a lembrar. Eras de desespero, quando não fomos controlados por
doces mentiras, quando nossos maiores épicos e nossas mais profundas crenças
não passavam de pensamentos desvairados de uma mente insana. Em um frenesi de
luxúria, violência e terror, fomos domados por Elas.
Elas que
não eram humanas como nós, que nos usavam para apaziguar seus ânimos quando
lhes conviesse. Os genes sobreviveram, pois procriávamos com frequência, quase
com a mesma frequência com que morríamos. As Amazonas eram amas impiedosas, e
nós, éramos seu gado. Seus produtos. Seus brinquedos. 
Uma
delas, era em especial, mais sádica do que as demais. Gostava de matar seus
parceiros após ejaculação, para que suas crianças fossem únicas. E ela foi
além, procriou com criaturas profanas e grotescas, de nomes impronunciáveis por
línguas mortais. Conjurou criaturas mais velhas do que o próprio tempo e teve
diversas crias com cada uma delas, sempre tirando-lhes a vida após o ato. Sua
luxúria não conhecia limite algum, e então chegou. O terrível momento onde ela,
rogou por uma criança do próprio Deus daquela existência.
O grande
Criador estava fascinado pelo poder que sua criança havia acumulado, e a temia.
Não era onipotente, onisciente ou onipresente. Livre-arbítrio reinava naquelas
criações macabras e cruéis. Ele desceu ao encontro dela. Saudou-a e iniciaram o
ato profano entre mortal e imortal. Após o termino e, percebendo a magnitude de
seu parceiro, ela viu ali uma oportunidade, e durante o êxtase ela o forçou a
jurar lealdade a ela. Afinal, Todo-Poderoso ou não, ainda era um homem, e era
do feitio dela dominar os machos de qualquer espécie. 
Preso a
sua palavra, em um tempo onde promessas eram contratos irrevogáveis, Deus a
levou consigo para seus Reinos etéreos onde, com o tempo, perdeu consciência de
qualquer capacidade inerente ao pensar filosófico. Era um escravo. O escravo. E
ela era sua mestra; porém ela havia perdido séculos adestrando seu bichinho, e
sua raça havia se extinguido, suas crianças haviam perecido por serem
abominações, e uma nova era se iniciava; todavia haviam crianças que haviam
sobrevivido graças a exímias habilidades para se adaptar. 
Ela era a mãe de uma nova era, a mestra do
Mestre dos mestres. Suas crianças eram como a mãe, dedicadas puramente a
violência e a devassidade sem limites. Procriar era seu dever e sua paixão.
Matar era sua forma de sobreviver. E com o tempo, até mesmo nós começamos a
clamar por ela, mesmo não sendo crias de sua luxúria passamos a agir como tais.
Seu nome nunca fora de fato esquecido, nem seu papel em nossa existência. Seu
título entre aqueles que a louvam, a única denominação existente para a Mestra.
Louve-a, e proteja seu reinado. Clame pela misericórdia da Mãe-Natureza.