Por Leandro Barcellos


O Orvalho seco corroía o céu do poderoso império de Elizeu, manchas negras surgiam por toda parte assustando a população. A natureza do local já não era mais a mesma, árvores transmitam um som estranho, pássaros voavam sem rumo, o império de Áurea Villa estava no meio da escuridão, na escuridão de Sultar.
Meses atrás Sultar trouxera hordas de orcs negros para vigiarem sua jazida, a produção de topázio austral estava acelerada, seus subordinados sabiam a forma certa de trabalhar com o metal mágico. Forjavam e manuseavam o metal com perfeição, em pouco tempo os orcs puderam desfrutar da magia em armaduras, machados, martelos e outras armas pesadas.
O exército do mago Sultar fora formado, sentindo-se ameaçado, Elizeu fez um acordo de paz com o líder sombrio.
– Trago-lhe a primeira arma formada com o topázio austral, Zangarleft a espada de Vittor – disse Elizeu.
– Finalmente se rendeu às minhas exigências – replicou o mago sombrio.
– Teoricamente sim, meu império manda nessas terras, você veio para o meu mundo para assassinar Vittor e ter o direito de explorar nossos metais, atualmente eu tenho um exército de orcs negros que ameaçam a minha população. Estamos inseguros com essa afronta indireta.
Sultar criou uma mancha negra em sua mão esquerda, fitou o imperador e foi embora. O mago acabara de ameaçar Elizeu de uma forma direta, seu exército estava postado para atacar e Sltar não temia uma guerra pelo comando de Áurea Villa.
No mesmo momento do conflito o reino de Higgar se erguia, Vittor já estava velho demais para comandar seus subordinados, então deixou essa tarefa para Raishin, o menino deixou seu cabelo e sua barba crescer, mesmo sendo jovem, Raishin transmitia uma ideia mais adulta sobre sua identidade, seus aprendizes gostaram da postura e adotaram o mesmo visual, todos os guerreiros de Higgar estavam com cabelos e barbas longas.
Com o novo visual eles podiam se identificar de longe, evitar transtornos com a população e lutarem a distância com táticas de observação. Raishin adotava um ensinamento espadachim da escola dos samurais, o combate com as artes marciais diferenciava seu grupo, os guerreiros de Higgar eram implacáveis.
Raishin e Tazz realizavam torneios em seu reino, premiavam os vencedores e os habitantes os veneravam, isso fazia com que os aprendizes se dedicassem mais a aprender o combate samurai. Higgar estava sendo preparada para entrar em uma guerra em desvantagem e aniquilar seus inimigos sem dificuldades, assim como Baltazar fazia em tempos mais antigos.
No outro lado do mundo Elizeu preparava seu povo, o imperador já havia esquecido a ameaça que Vittor proporcionava para sua dinastia e concentrava seus esforços para combater o mal de Sultar. Escrivões delatavam as atrocidades que os orcs negros podiam cometer, mas todas as informações eram falsas, apenas boatos espalhados para impor o medo na população.
Em uma noite nebulosa um soldado de Áurea Villa brandia seu machado em uma das mãos, na outra trazia um pacote de papel banhado por Sangue.
– Meu senhor, trago-lhe um tributo, você vai adorar – disse o soldado para Elizeu.
Elizeu abriu o pacote e deixou a cabeça de um orc negro cair. O primeiro assassinato acontecera, o sangue do orc negro não seria o único sangue derramado entre as duas forças.
Em Higgar a situação era diferente, Raishin vivia a paz com o seu povo e cuidava de Vittor quando podia. O experiente mago não necessitava de muitos cuidados, Vittor estava bastante seguro e sua saúde não o ameaçava, porém não conseguia mais lutar pelos seus ideais.
Com Vittor longe das tarefas de guerra Raishin foi adotado como líder, a população de Higgar aprovava a ideia de ter o menino de cabelos longos organizando as formas de batalha do reino, Higgar não tinha um treinamento verdadeiro para sua única batalha mortal. O único desafio do reino abandonado era impedir invasões de animais selvagens e realizar acampamentos nas partes inabitadas da floresta, mesmo sem muito treinamento, Raishin sentia que sua tropa estava preparada para qualquer tipo de combate.
Sultar soube da morte de um dos seus soldados, uma comitiva de guerreiros sombrios marchou até Áurea Villa e decretou Guerra ao poderoso reino. Elizeu não atacou os marchantes, apenas fortificou suas defesas e deixou que o mago Roustos – contratado meses atrás para defender seu reino – comandasse as suas tropas.
Rofustos possuía espiões que conseguiam dissipar parte do poder de Sultar dentro da Jazida, os servos do mago não tinham ligação direta com o reino de Elizeu, nem o próprio mago tinha essa tal ligação. O imperador confiava nas táticas do novo líder de suas defesas e o deixava averiguar a vida de Sultar.
Em uma das caminhadas, os servos do mago Rofustos se depararam com tropas de Raishin. De cara os servos se apresentaram como soldados de Elizeu e o combate foi inevitável. Não houve mortes e o combate cessou quando Rofustos pediu um acordo.
– Parem o combate e eu os mostrarei a verdade sobre nossa vinda para esse planeta – disse o mago
Alguns ousaram em atacar, mas a maioria do grupo cessou o ataque e deixou o mago explicar sua vinda.
– Há muitos anos Sultar vem buscando pelo topázio austral – disse o mago chamando a atenção dos espadachins – o topázio usado pelo líder de vocês na espada lendária Zangarleft. Não sirvo Elizeu por um propósito de defesa de seu reino, o sirvo por saber que a ameaça de Sultar é maior que qualquer tipo de ditadura. Sultar ameaça o universo e vocês podem nos ajudar.
Os espadachins ficaram sem saber o que dizer e suas reações foram confusas. Alguns não acreditavam em nenhuma palavra do mago desconhecido, outros faziam posturas de não entender completamente nada, mas um deles ousou em perguntar:
– Quem é Sultar?
Rofustos contou sobre a magia psíquica, contou sobre os orcs negros que protegiam a jazida e falou sobre as ameaças que o mago sombrio despertara para o povo de Higgar. Outras perguntas foram formadas e Rofustos se complicou em responder, até que um dos guerreiros de Higgar determinou:
– Prenda o Mago charlatão e seus subordinados!
Em um relapso ofensivo os espadachins anularam os servos do mago Rofustos. Alguns resistiram magicamente, eram feiticeiros do elemento fogo, mas não conseguiram conter as lâminas astutas dos espadachins. Rofustos foi preso junto com a sua comitiva, eles foram levados até Higgar.
Chegando no reino que crescia sob a floresta Rofustos foi deixado com Raishin. O líder dos samurais foi consciente e escutou toda História que o mago contratado contara horas antes para seus guerreiros, Raishin não tomou atitude alguma, apenas deixou Rofustos aprisionado sem ser torturado ou maltratado dentro de seu cárcere.
Até então o líder dos samurais de Higgar não conhecia nada sobre Sultar, sua única missão era se vingar da ditadura de Elizeu, imposta anos atrás trazendo a morte de sua vida passada. Raishin não sentia raiva de seu irmão de espírito, porém carregava consigo a honra de seus familiares e de seu mestre, Vittor falara várias e várias vezes sobre a ganância de Elizeu, agora o menino que um dia fora aprendiz e hoje comanda espadachins habilidosos teria que decidir: Abandonar sua missão para salvar o mundo, ou abandonar o mundo para salvar a honra de seu povo.
A decisão parecia ser um enigma e a guerra estava próxima, Raishin se reuniu com Tazz e Vittor para determinações finais sobre o ataque ao reino de Áurea Villa, as táticas pareciam bem claras na cabeça do líder samurai, mas Tazz e Vittor não pareciam acatar com suas decisões.
– Farei a guerra da forma que eu desejar, siga-me quem confiar em mim, abandona-me quem desconfiar – disse Raishin impondo sua decisão – Tazz, avise aos demais que soltaremos os nossos prisioneiros e partiremos pela manhã rumo ao castelo de Elizeu.
Tazz não se pronunciou, chamou os demais, todos acataram as ordens de Raishin sem muito Alarde. Pela manhã Rofustos foi solto, o mago entregou um mapa que possuía dois caminhos, o caminho para leste rumava para o castelo de Elizeu, o caminho para Oeste chegava até a mina de Sultar. Os samurais deixaram os subordinados de Rofustos marcharem para oeste, quando o mago sumiu de vista Raishin decretou:
– Marchem para o norte!
A nova Higgar tinha apenas vinte e cinco homens lutando pelo seu legado, um legado destruído por anos e massacrado por gerações, mas Raishin confiava em seus homens, eram treinados e capacitados para qualquer tipo de combate em desvantagem –eram os melhores de todo o mundo – e além do mais ele tinha Tazz, seu fiel escudeiro, seu melhor amigo.
Tazz era o único homem negro em toda comitiva, muitos diziam que ele fora abençoado pelos deuses, mulheres de toda nova Higgar queriam se deitar com o guerreiro negro para ter filhos semelhantes a sua cor. Tazz não ligava muito para sua raça, queria apenas lutar com seu grande amigo – amigo branco – e honrar seus antepassados.
A comitiva de Nova Higgar chegou até a parte do mapa que indicava o intermédio entre o reino de Elizeu e a Jazida de Sultar, Raishin tomou partido da situação e de início foi até a jazida verificar o que o aguardava. Chegando no local  ele pode ver Rofustos e seus subordinados conjurando espíritos brancos e anulando a névoa negra que pairava sobre a cratera.
Raishin se aproximou da cratera e viu o cenário infernal que o esperava, soldados bestiais com armaduras negras, paladinos meio-orcs com escudos feitos com o topázio austral e orsc negros armados de ponta a cabeça com o topázio, armaduras, espadas, machados, todo tipo de armamento dos orcs eram feitos com a pedra mágica.
Sultar havia criado um túnel para fazer seus soldados saírem direto no castelo de Elizeu, o plano do mago sombrio já estava arquitetado, mas ele não contava com a inteligência de Rofustos.
Soldados negros saíram pelo túnel, quando a horda de orcs e meio-orcs estavam preparando suas linhas ofensivas o mago gritou:
– Mestre do Tempo!
Todos orcs ficaram imóveis. A magia do mago fez uma paralisação temporal que impediu a criação de uma linha ofensiva efetiva. Sultar caia em uma armadilha bem elaborada e sem possibilidade de uma estratégia extra para fugir do ataque
Os servos de Rofustos brandiram suas espadas e clamaram por magia, Raishin ordenou que seus homens lutassem contra os orcs, os samurais formaram uma aliança mortal contra Sultar, covardemente o mago sombrio fugiu e deixou seus homens dentro da cratera para que eles fossem julgados mortalmente.
Raishin e Tazz foram os únicos que não desceram para combater os orcs. Os amigos inseparáveis caminharam pela superfície junto ao túnel, em pouco tempo a reencarnação de Eitor pode ver dezenas, andou mais alguns metros e logo centenas de soltados se postaram diante à vingança de Higgar.
No comando, um homem montado em um cavalo negro com armadura feita de prata, um homem cujo sua face simbolizava a traição, esse homem era Elizeu.
– Que mágico! – disse Raishin – centenas de soldados para combaterem apenas dois guerreiros, que mágico, meu querido… Irmão!