Por Tiago Amorim

Algo que não podemos deixar de ressaltar: A
Importância do Oscar está mais para a diversificação que para exatidão. Todos
os filmes da categoria Melhor Filme foram premiados em pelo menos uma categoria,
e isso mostra que seus trabalhos foram reconhecidos daquela maneira que a
Academia sempre faz. Tivemos muitas surpresas e muitas decepções, mas essa nova
série de posts sobre os filmes do Oscar quer mostrar o valor de cada um deles
de forma individual, sem entrar no mérito de premiações (no final será postado isso de forma imparcial) ou críticas de “especialistas”.
Em suma, uma indicação de fã para fã de filmes que tem algo a ser mostrado.
O filme escolhido para essa primeira resenha
foi Birdman, que nos mostrou um pouco do que é ser um ator reconhecido pelo que
ele não quer – ou até mesmo pelo que ele não é. A busca pela consagração de sua
carreira nos sugere uma trama completamente dramática e densa, e de fato foi,
só que com uma mistura perfeita de sátira, intensidade e criatividade. Mas por
que uma peça teatral dirigida e atuada por um ex-astro de Hollywood poderia nos
causar tanto interesse?
Faço um pequeno pedido aos aventureiros
desavisados quanto a dinâmica do início do filme, embora possa ser um teste no
qual você vai desistir por não estar acostumado a cenas sem muitos cortes e com
uma carga dramática que não se vê em seriados adolescentes, você deve abstrair
todos os preconceitos de gostos pessoais para poder apreciar uma das mais belas
obras-primas do cinema de 2014.
O modo como a câmera persegue o protagonista faz
o espectador entrar no frenesi psicológico ideal para entender muitas
informações que serão jogadas em sua responsabilidade para julgar a veracidade dos
acontecimentos. E Birdman faz isso muito bem, te dá uma opção, uma oportunidade
de vislumbrar um final diferente, mesmo que a opção mais óbvia também possa
parecer a correta.
Para aqueles já cientes de que a vida de Michael
Keaton está em cartaz, irá se surpreender com o papel dado a Edward Norton, que
interpreta um ator problemático e que não gosta de seguir regras – tal como ele
mesmo. A crítica que nos é trazida pelo diretor Alejandro González é pesada e
até mesmo cruel com os atores que estão participando, pois se trata de uma
sátira muito bem construída e teve a coragem de não se limitar ao abordar nomes
conhecidos e que são endeusados pela massa.
Não é recomendado a quem tem gostos
medíocres, a profundidade e a forma como é contada a história é madura e
sensível. Por outro lado, pode-se criar um novo tipo de público que se agarrou
na visibilidade de Birdman e que agora vai começar a questionar sobre o que
deve ser valorizado na hora de avaliar um filme. Entrementes, essa é uma
possibilidade bastante subjetiva e ínfima.
O intuito desses textos de sugestão de filme
não é fazer uma resenha extremamente elaborada e contar os mais singelos
detalhes da obra, e sim comentar coisas realmente interessantes, que possam
prender a atenção das pessoas enquanto estão assistindo e acabar com alguns
preconceitos e caras feias só porque não gostou de uma particularidade boba.
Parafraseando um dos colaboradores do blog,
Victor Lages, Birdman é ego e inovação. Acrescento que também é uma forma de
mostrar como podemos superar todas as expectativas quando paramos de fingir e
começamos a agir como nós realmente somos. Talvez essa seja a mensagem a ser
captada, o que só valoriza ainda mais esse trabalho primoroso.
 Premiações:

– Vencedor do Oscar de Melhor Filme
– Vencedor do SAG Awards de Melhor Elenco
– Vencedor do AFI Awards como filme do ano
– Vencedor do Gotham Awards como Melhor Filme
– Vencedor do National Board of Review no TOP
10 Melhores Filmes
– Vencedor do PGA Awards como Melhor Filme
– Vencedor do AFI Awards como um dos Melhores
Filmes do Ano