Alan Ribeiro, de chapéu de vaqueiro na parte superior direita
Por Alan Ribeiro
Preparar
a papelada, documentos, despedidas, ansiedade… até que finalmente você chega
em um lugar em que não conhece ninguém e ninguém fala sua língua, e aí? Não tem
mais o número da sua mãe para ligar caso algo de errado (até tem, mas não tem
muita coisa que ele possa fazer), é aí que você se dá conta que o que você
chamava de casa ficou bem para trás e não vai dar para voltar (tão cedo). Mas
calma, você acabou de chegar e já quer voltar? Nah, ainda tem muita vergonha a
ser passada, muitas responsabilidades a cumprir e muitas festas pra aproveitar
(não achou que ia virar a pessoa mais responsável do mundo em um ano, achou?).
E
foi assim que aconteceu quando cheguei ao Reino Unido no começo de 2014, com um
inglês que eu achava bem suficiente pra sobreviver, mas era bem isso mesmo, pra
sobreviver, não mais que isso. Logo de cara, quando desembarquei em Edimburgo
descobri que minha bagagem havia sido extraviada e eu ia ter que me virar com
poucas cuecas e algumas camisas que por sorte havia colocado na mochila. Sai em
disparada pra ver se ia conseguir pegar o trem a tempo (já tinha passado pela
~temida~ UK Border), e já tinha perdido bastante tempo entre os voos cancelados
e atrasos. 
Depois
de andar/correr de uma porta pra outra achei a saída do aeroporto. E agora?
Onde pega o ônibus pra estação? Caminhei, subi, desci até que criei coragem o
suficiente pra perguntar pra alguém num inglês bem estilo Borat, onde eu pegava
o ônibus pra estação e perceber que era bem do lado do lugar que sai (GENIUS). 
Desenrolei
meu ticket, peguei o ônibus e finalmente: Waverley Station, não vou falar de
novo pra não ficar repetitivo, mas dá pra imaginar o quão perdido eu fiquei
tentando encontrar a plataforma certa, até que finalmente achei. Sentei,
respirei, não passaram dois minutos e o trem saiu. Depois de mais de 40 horas
de viagem, cheguei no meu destino final: Dundee. Foi bem divertido entrar no
táxi e não saber se o cara tava xingando minha mãe, meu pai, meus irmãos, ou
todas as alternativas anteriores. 
Respondi com um: “University of Dundee”, era
o que mais fazia sentido dada a situação e partimos. Yay, cheguei, posso dormir
agora! Mas pera, onde pego minha chave? Já tá tarde, o office já tá fechado,
não tenho internet, faço o que agora? E tava frio. Frio como Alan, 20 graus? 10
graus? Amigos, eu saí de Teresina, não sei se você sabe, mas com 20 graus tem
gente usando cachecol na rua. Não, pra mim estava frio pra caralho e eu apenas
usando uma singela jaqueta com duas camisas por baixo e não, não era
suficiente.
Vou
acabar com o drama e dizer que depois de uns 20 minutos sem saber o que fazer
da vida, vi dois conhecidos caminhando, corri pra salvar minha vida e consegui
me encontrar com o resto dos conhecidos que estavam todos festejando. Vamos pra
balada? Ha, só se for agora! E foi assim que começou o melhor ano da minha vida.
Sofri, apanhei, mas no final tudo valeu a pena e sem os micos não teria a menor
graça.