Por Beatriz Oliveira

É quase uma austera loucura,
Um mau devaneio que na mente cai,
Pernoita, teima e nem com faina sai,
Mas a cada novo desvario se cura.

Pespego invólucro, tortura insana,
Esfarela cada pedaço de alma
Enquanto cada ação tua pede calma,
Mas não satisfaz, a vontade não sana.

A cada fechar de olhos, no entanto,
Um vislumbre de sonho dança,
Liquefazendo-me a cada “sim”.

E vivo entre o “se” e o “quando”,
Desmerecendo a impiedosa matança,
Que sua presença exerce sobre mim.