Por Leandro Barcellos
 
O solo irregular do Planeta de Áurea Villa não ajudava em nada a fuga do mago Vittor, ele havia fugido do exército inimigo semanas atrás e precisava de um lugar para refúgio. Somente as sombras o acompanhavam e isso o deixava trêmulo, Vittor não sabia funcionar sozinho, precisava de seu antigo rei ou de seus aprendizes e todos esses foram mortos pelo rei Elizeu.
Vittor conseguiu abrigo na floresta negra, pessoas exiladas de seus reinos ou fugidas da guerra ajudaram o velho mago, alguns aliados que defendiam sua conduta em Higgar seguiram suas regras dentro da floresta e lá eles conseguiram reerguer o antigo reino.
Parte da população dos reinos responsáveis pelo o ataque estava na floresta, eram fugitivos do exército de seus reinos, aqueles que não concordavam com a conduta brutal eram presos e torturados, a sorte de fugir já era o bastante para a mísera população que restara.
O experiente mago conseguiu crescer e se desenvolver dentro da floresta, o benefício de ter uma nova vila com habitantes fieis a sua conduta não anulava o malefício de ter o exército de Elizeu em sua procura. O crescimento só aumentou o perigo de um ataque com um novo massacre.
O exército de Elizeu organizou uma caçada em busca de Vittor e da espada de topázio que ele levara consigo. O movimento só ajudou a matar desordeiros que não acatavam as ordens do rei, estuprar algumas mulheres pra depois matá-las e fazer novos escravos, toda caravana que achava o velho mago era morta pela lâmina mágica da espada. Mercenários, bruxos, feiticeiros, todos os seres mágicos que residiam em Áurea Villa foram contratados para assassinar Vittor, absolutamente ninguém voltava.
Vittor se transformou em uma lenda, muitos diziam que ele representava a figura humana dos deuses e por isso não era vencido, aqueles aventureiros que fugiam da fúria de Zangarleft aconselhavam o rei Elizeu a não enfrentar o poderoso mago. Elizeu não queria arriscar sua vida, não se achava capaz de vencer o mago e então foi buscar aliados fora do planeta para sua missão. O rei de Áurea Villa encontrou o mago Sultar e fez uma troca com o ser mágico.
– Lhe entrego parte da riqueza do meu reino e prometo aliança em suas missões no espaço – disse Elizeu – em troca eu quero a cabeça do mago Vittor e de todos aqueles que o seguem.
– Quero o direito de levar comigo a famosa espada que ele possui e quero ter o direito de explorar todas as jazidas de minério de suas terras – disse o mago – não preciso de riqueza alguma ou mero prestígio.
Elizeu sabia da poderosa magia embutida na arma, a aliança com o mago Sultar ficou para ultima instancia, o objetivo era acabar com Vittor e a única que tinha qualidade mágica para isso era Rachel.
A feiticeira caminhou até a floresta negra com uma comitiva de soldados, ela estava disposta a acabar com a única ameaça do planeta e instalar a verdadeira ordem de Elizeu. A batalha entre os antigos amigos foi acirrada, Vittor utilizou a força extra da espada de topázio e Rachel utilizou a vantagem numérica.
O fim do confronto decretou Vittor vencedor, ele sabia como neutralizar magicamente Rachel e conseguia atacá-la com Zangarleft. Rachel em sua ultima súplica condenou a floresta e destruiu todas as arvores que lá havia, transformou o local no verdadeiro caos e forçou a nova população de Higgar a fugir novamente.
Os seguidores do mago Vittor se instalaram em uma enorme caverna próxima da floresta, a morte da feiticeira Rachel fez com que o exército de Elizeu recuasse, Higgar cresceria novamente.
O desenvolvimento voltou e a vila se ergueu fora da caverna, Vittor passou anos preparando guerreiros para se apossarem da espada mágica, mas nenhum deles conseguiam ter a frieza que resumia a vantagem da espada sobre as outras armas. A lâmina de topázio necessitava de um dom, um diferencial que apenas o verdadeiro príncipe descendente de Baltazar e o mago Vittor possuíam.
O experiente mago voltou a procurar Thorton e ele disse que Eitor poderia voltar.
– O verdadeiro destino de Higgar pode estar traçado com a linhagem de Baltazar – disse Thorton – se esse for o verdadeiro desejo dos deuses, Eitor reencarnará.
Depois do crescimento da vila o desejo de vingança só aumentou, velhos integrantes do exército de Baltazar contavam para seus entes queridos sobre o que passaram e sobre a covardia de Elizeu, o atual rei de Áurea Villa foi condenado à morte sem saber e um escolhido seria convocado para matá-lo.
Vittor selecionou dois meninos para uma caravana de expedição no território do antigo reino de Tauriar, os dois meninos eram Raishin e Tazz, de início a missão seria tranquila sem muitas ameaças, Vittor não sabia que Tauriar fora devastada por um dragão de gelo, Aus-hí o dragão branco atacou o antigo reino e forçou a população a fugir para o leito de Elizeu.
Vittor não podia lutar sozinho e deixar os dois meninos desprotegidos, mesmo eles sendo jovens e destemidos a experiência de batalha deles era pequena, tudo que Vittor podia fazer era fugir.
No momento da fuga o velho mago foi congelado pelo dragão, a espada de topázio caiu no chão e Raishin a pegou. O jovem brandiu a lâmina de topázio contra o dragão e antes que Vittor pudesse se dissipar o dragão foi apunhalado. A magia do topázio anulou magicamente o monstro e o fez inofensivo, Rashin conseguiu obter a verdadeira magia da espada impressionando o seu mestre.
Com o êxito de Raishin, o novo reino de Higgar obteve uma nova esperança, outros heróis estavam nascendo para defender a honra e o legado de Baltazar. Rashin estava sendo criado para ser um espadachim líder e Tazz era seu fiel escudeiro, ambos treinados e auxiliados por Vittor.
O jovem herói começou a envelhecer e criou uma conduta de treinamento diferenciada dos outros jovens, enquanto muitos treinavam com espadas comuns, Raishin treinava com Zangarleft.
Sempre amparado pelo mestre Vittor ele desenvolveu um domínio impar sobre a espada, conseguia fazer movimentos leves porém perigosos, conseguia obter força através da magia embutida na espada. Uma energia e um vigor que apenas um homem a possuía, o verdadeiro descendente de Baltazar: Eitor.
Olhares, formas de se comunicar, traços físicos e até mesmo brincadeiras cotidianas, todos esses aspectos levavam crer que Raishin era realmente a reencarnação de Eitor. A memória de Vittor o remetia ao passado fazendo o velho mago lembrar das comidas e manias que o príncipe possuía, todas essas características eram semelhantes, Vittor não tinha mais dúvida – Raishin era definitivamente o príncipe de Higgar covardemente assassinado pelo seu irmão gêmeo.
Durante o tempo do crescimento do novo reino de Higgar e do envelhecimento de Raishin, Elizeu permitira que o mago Sultar explorasse suas minas de pedras preciosas, por um tempo nada achou, mas logo vieram as jazidas de diamantes e esmeraldas. Todas as pedras o mago entregou para Elizeu sem cobrar nada em troca, a única exigência que ele fizera era continuar a exploração.
Sultar era considerado um mago sombrio, dominador da morte e de todos os planos espirituais que ligavam o mundo carnal ao mundo obscuro, o mago alienígena criou um cemitério sem corpos próximo ao reino de Áurea Villa.
A áurea do local fazia que todos aqueles que aproximassem das minas de Sultar tivessem a experiência de estar no inferno. O local ficou sombrio e sem nenhuma vegetação perto, apenas os subordinados do mago conseguiam adentrar nas minas.
Preocupado com a segurança de seu reino, Elizeu enviou soldados para outros planetas, suas missões eram simples: investigar e aprender tudo sobre o mago Sultar.
Elizeu havia enviado experientes soldados, um antigo servente de Rachel e um capitão de Tauriar aposentado, ambos disseram para Elizeu que Sultar era mais perigoso que ele imaginara.
– Sultar é a falsidade em pessoa, esses campos obscuros sob as minas não passam de ilusão, além de ser o mestre da morte ele é o mestre da falsidade, criou um elemento único que apenas ele e seus subordinados podiam controlar – disseram os soldados convocados para a missão – o elemento psíquico.
Magos, feiticeiros e outras ordens mágicas só podiam dominar quatro elementos; a água, o fogo, a natureza e o ar, todos esses caracterizavam os quatro elementos naturais, pelo menos era isso que os habitantes de Áurea Villa sabiam.
Desde a chegada de Thorton no planeta as revelações vindas de fora eram as principais fontes de mudanças no cenário político e geográfico de Áurea Villa. As guerras, as novas ambições, todo o conflito sobre as novas verdades fizeram de um planeta pacífico um mundo de guerras e perseguições.
Os guerreiros de Áurea Villa viajavam pelo universo através de portais, visitavam outros planetas e ficavam abismados com a tecnologia que eles nunca tinham visto. Eram antiquados diante das vestimentas dos alienígenas, tudo era diferente e avançado. Áurea Villa parecia parado no tempo, enquanto todo o universo voava na velocidade da luz.
Com o ouro das jazidas de minério exploradas por Sultar, Elizeu contratou feiticeiros e magos de outros planetas, um dos Magos era o famoso Rofustos. Lendas diziam que ele era filho da luz e crescera acobertado pelos deuses. O rei de Áurea Villa estava mais tranquilo em ter Rofustos em seu exército
Em um dia nublado um dos subordinados de Sultar saíra pela colina gritando o nome de seu mestre. Em sua mão, metal azul desfigurado, com pedras comuns que se misturavam em sua conjuntura.
– O topázio austral mágico! – dissera Sultar.

O mago conjurou uma pequena magia e o metal expeliu uma luz incandescente fazendo Sultar gargalhar de felicidade. Seu plano parecia estar completo.
Dentro da nova Higgar Vittor permanecia auxiliando o novo herói, com uma onda de ansiedade ele contou a história de Eitor com Elizeu, falou sobre a traição e disse que era padrinho do verdadeiro herdeiro.
Com os olhos penetrados no rosto de seu mestre, Raishin mudou sua postura e foi dominado por um espírito já conhecido: A alma do antigo príncipe Eitor.
Sua voz ficou idêntica com a do príncipe e ele disse:
– Vingarei a morte do meu pai, vingarei seu exílio, vingarei todos aqueles que aqui estão, vingarei o verdadeiro reino.
E então mestre e aprendiz entoaram um cântico e disseram.
 – Vingaremos Higgar!