Por Tarek Henrique
Em uma vila na
antiga Escócia chamada Pedras de Fogo havia um reino que pertencia à família
Chastel, George o rei tinha os cabelos castanhos e de certa forma longos para
um homem, era alto, meio arrogante e possuía muita bravura, George era casado
com Elizabeth Clark, uma mulher muito bela, com longos cabelos pretos, uma pele
pálida, olhos bem marcantes e sempre estava usando vestes escuras além de ter
um ar misterioso, Juntos eles tinham três filhos, Oliver, bem parecido com o
pai fisicamente, a não ser por uma queimadura em seu corpo, tinha vinte e um
anos, o mais novo e era revoltado com as injustiças do pai diante do povo do
vilarejo, Mercy era a filha do meio, tinha traços parecidos com os do pai, seus
cabelos não tão grandes eram pretos e ela sempre fazia bonitos penteados sempre
para o lado direito da cabeça, para esconder uma cicatriz, pois seu cabelo não
crescia ao redor desse corte, era uma menina muito doce, a preferida do pai e
apesar de ter vinte e três era mais inocente do que Oliver e Jonathan Chastel,
Jonathan se estivesse vivo seria o filho mais velho, mas aos dois anos de idade
foi assassinado pelo próprio pai, o rei George Chastel, o fato e as causas que
o levaram à acontecer ainda é um mistério para todos, na verdade, um dos vários
mistérios envolvendo a família. Desde o inicio da semana, George, andara se
queixando de dores pelo corpo e na cabeça, além de calafrios e pesadelos á
noite, mas tais sintomas não o impediram de notar que Elizabeth andava mais
estranha do que nunca, já era a terceira vez naquela semana que ela ia ao
vilarejo, ou pelo menos era o que dizia. No final dessa mesma semana o
cotidiano do reino estava prestes à mudar bruscamente. 

Reuniam-se em volta
da mesa para o jantar, o rei que tossia muito, a rainha que sem dúvidas, e com
um leve sorriso no rosto, estava bastante satisfeita com algo, e seus dois
filhos, Mercy, como sempre preocupada com o bem estar do pai e Oliver que
parecia intolerante diante da cena do rei, achava que era mais uma desculpa de
seu pai para aumentar o preço dos impostos cobrados ao povo que por sua vez
estava bastante necessitado de dinheiro, todos permaneciam calados enquanto
jantavam, quando em um dado momento, George não aguentou mais, desmaiou. A
rainha pediu para dois dos cavaleiros da guarda real levarem-no para seu
quarto, que ficava na torre mais alta do castelo, Mercy logo ficou aflita e
começou a chorar, Elizabeth dizia em voz exaltada:

– Acalmem-se os
dois, o pai de vocês vai ficar bem, foi só um mau estar, tenho certeza.
– Pobre coitado,
sofre tanto né – Falou Oliver debochando da doença do pai – Ele quer que eu
bata palmas diante da brilhante atuação dele… Mercy o interrompeu – Não fale
assim do papai, ele é o homem mais justo que já conheci.
A rainha olhou a
filha como quem desdenha uma maçã podre, nesse mesmo instante Oliver
levantou-se e olhando nos olhos de sua irmã falou:
– Inocente que você
é Mercy – Oliver riu, e em um surto de segundos continuou, dessa vez gritando
–  O povo passa fome, sem abrigo, tendo
que trabalhar pra nos alimentar. Essa é a justiça que você se refere? – E jogou
seu prato de comida no chão – E você mamãe não se faça de preocupada nem queira
tomar as rédeas da situação ou dessa tensão familiar à semanas bastante pertinente,
já não bastam suas loucuras?
Oliver parou
instantaneamente de falar, até Mercy parara de chorar, a rainha levantava seu
olhar lentamente, com seus olhos bem marcados e a impressão que dava era que
ela já tinha matado Oliver umas dez vezes e que estava prestes à tornar aquilo
real, afinal ele acabara de chamar sua mãe de louca, e o pior, sua mãe era
Elizabeth Clark. Mas na verdade todos ali presentes tinham motivos de sobra pra
chamar a rainha de louca, inclusive os outros dois cavaleiros se duvidar. 
Elizabeth caminhou
até seu filho e deu-lhe um tapa no rosto, em seguida disse calmamente: – Sem
mais palavras, quero os dois em seus dormitórios imediatamente, e como ultimas
palavras quero dizer que nossa família terá, de agora em diante, preocupações
muito piores do que certos conflitos familiares – Olhou para Oliver, e abriu um
sorriso claramente falso, com esse mesmo sorriso no rosto continuou a falar:
– Eu amo George, e
farei o possível para ajudar todos vocês. Meus amores. Aliás, Mercy seu quarto
tem uma nova decoração querida, eu mesma que fiz e Oliver… Você está
perdoado.
Os dois saíram
muito curiosos em entender a maneira como a mãe acabara de agir, Mercy com um
pouco mais de medo, e Oliver um pouco mais revoltado.
Elizabeth logo
subiu as escadas para encontrar-se com George, no quarto, e antes que abrisse a
enorme porta do quarto, parou, bem em frente e sussurrou:
– Oliver, porque
você sempre tem que está certo?
Riu, e então abriu
a porta, foi caminhando à passos largos com seu longo vestido preto, sentou na
cama, ao lado de seu marido. George logo começou a se queixar:
– Elizabeth, me
ajude, por favor, fique aqui comigo… – A rainha parecia não da muita atenção
ao que o rei falava e começou a abrir sua camisa, devagarinho. O rei que estava
deitado percebeu o pouco caso que sua mulher fazia de sua aflição:

– Preste atenção em
mim, não vê que estou com… – George parou e respirou por segundos – … MEDO.
O “medo”
foi o que levou o rei Christover Chastel à morte, o rei da sétima geração da
família e também o pai de George.
– Eu sei a causa de
sua doença, e também sei como cura-la. Disse Elizabeth com uma voz maliciosa.
Quando de repente
tirou a camisa de George e pegou nas suas costas.
– Querida, não é
hora para isso…
– Você foi
AMALDIÇOADO, George. Por uma bruxa.
As costas do rei
estavam manchadas de preto e aquela era o a marca de uma maldição.
George não
conseguia falar com clareza, ficava gaguejando, mas ainda disse algumas
palavras com ódio:
– Meu pai sempre me
falara de bruxas, e o quanto elas eram ruins, feias, insanas… eu odeio
bruxas.
– E George, eu
tenho que lhe falar outra coisa importante…
– Talvez foram
bruxas que colocaram o “medo” em meu pai…
– Amor, me escuta
você tem que prestar bastante atenção no que vou…
– Elizabeth, você
entende a seriedade dessa situação?
– GEORGE – gritou
Elizabeth – EU SOU UMA BRUXA.
George estava
acabado, já não sabia mais de nada. Elizabeth prosseguiu com a conversa:
– E eu também sei a
cura para sua maldição, apenas me escute, é uma longa estória. George querido,
eu temo que essa maldição não é sua, mas sim, minha, talvez um castigo, para
que todas as pessoas que amo, sofram, o que me faz sofrer também, e se isso for
verdade, existe um ritual que deverá ser cumprido e ele envolve minhas irmãs.
Eu sou a mais nova de quatro.
Elizabeth era
também a mais bonita.
– Há também, Vilã
Clark, a segunda mais nova e a única com quem falo, nela você poderá confiar,
ela irá lhe ajudar depois que eu… Bem…
– O que você quer
dizer com isso Elizabeth?
– Calma, vou
explicar tudo, Vilã é bastante parecida comigo, possui os cabelos pretos
também, mas diferente de mim, amarrados, sua pele é pálida, e seus olhos são
brancos, as causas disso não estão em questão, enfim, ela é também um tanto
gordinha e mora em uma floresta depois do vilarejo Pedras de Fogo. Há também
Charlotte Clark, essa você certamente encontrará, ela vive no próprio vilarejo,
escondida, é loira, bastante enrugada e certamente muito estranha. E por
ultimo, Holt Clark, essa é louca de pedra – Elizabeth riu – na verdade louca
por pedras, não sei muito sobre seu paradeiro, mas a ultima vez que a vi, se
escondia em uma caverna, depois da floresta, lá era um cemitério de mortos
transformados em pedras, ela tem possui cabelos brancos e muito volumosos e
além de ser a mais velha de nós é também mais velha do que o necessário, essa
está bastante acabada, mas não menos poderosa. 

Elizabeth foi
caminhando até perto da lareira, da enorme lareira que aquecia o quarto,
respirou um pouco e continuou:

– O importante
Geoge, é que nós devemos… Morrer… Apenas isso, para que a maldição acabe em
você, Vilã já concordou comigo, quanto às outras deverá ser à força. E atenção,
a mais velha deverá morrer esquartejada, a próxima, Charlotte deve ser afogada,
Vilã tem que ser enforcada…
George estava pasmo
com tudo aquilo que acabara de escutar. Elizabeth segurou o rosto de seu marido
bem próximo ao seu e pediu para que ele prometesse cumprir a tarefa, não só por
ele, mas possivelmente por toda a família.
Enquanto isso
Oliver, no seu quarto observava pela janela uma garota, muito bela, eles já
haviam se falado algumas poucas vezes, mas foi mais que suficiente para se
apaixonar, um amor indubitavelmente reciproco. A garota se chamava Kethelleen
Dona, era de família humilde, mas andava sempre bem arrumada, com seus cabelos
avermelhados presos e o mais importante para Oliver, os seus lindos olhos
verdes. Já para Mercy Chastel aquela noite só piorava, ao chegar em seu quarto
se deparou com várias velas espalhadas que dava um ar misterioso ao quarto, e
de repente Mercy ja não sábia mais quem era, já não tinha mais controle sobre
seu corpo, ela olhava e tinha a impressão que cada vez mais o seu quarto era possuído
por uma escuridão, e o fogo que saia das velas estavam lhe sufocando, com se
estivesse dentro dela, as sensações se misturaram, seu corpo ia ficando frio
por fora e ela começara a dançar, sobre a luz do luar, ao som da noite, uma
dança ao mesmo tempo bela e estranha, seus olhos iam escurecendo e  todas aquelas sensações iam aumentando até
que Mercy caiu no chão, completamente desacordada, com os olhos completamente
abertos e totalmente pretos e sem nenhum brilho.
No quarto do rei e
da rainha, a conversa parecia ter acabado, George ainda não conseguia assimilar
todos aqueles fatos, e fez uma ultima pergunta à Elizabeth, que parecia estar
de certa forma satisfeita com tudo que estava acontecendo:
– Você ainda não
falou o que acontece à irmã mais nova, querida? Disse George com os olhos
arregalados e ainda gaguejando
E Elizabeth que estava
perto da lareira o respondeu:
– Quanto a mim,
para abrir o ritual, devo morrer… QUEIMADA – E com os braços abertos se jogou
nas chamas da lareira.
Aquela noite era de
fato apenas o começo de um tempo obscuro na família Chastel, e provavelmente de
um fim marcante para as irmãs Clarck.