Muito se comentou sobre
como “O Hobbit: A Desolação de Smaug” se distanciou dos livros e
depreciou a adaptação, que costumava ser o ponto forte do diretor Peter
Jackson. Algumas pessoas perderam a fé que poderia vir algo bom após o segundo
filme e até reclamaram, usando o bom recurso do haterismo quando decidiram mudar o nome do filme de Lá e de Volta
Outra Vez para A Batalha dos Cinco Exércitos. Pode-se afirmar que o número de
pessoas com boa expectativa estava bem menor que nas outras estreias –
resquícios do filme anterior –, entrementes, isso não afetou o bom desempenho
de bilheteria. Com aproximadamente US$117 milhões antes de sua estreia oficial,
o filme já é considerado um sucesso e, segundo alguns blogs especializados,
especula-se que chegará com facilidade na casa de US$1 bilhão (será?). Aqui no
Brasil, o filme também rendeu bem à Warner, pois foi a segunda maior estreia da
empresa em nosso cenário nacional, atrás apensas da estreia de Harry Potter e
as Relíquias da Morte parte 2.
Começando com o clímax
da cena final do filme anterior, que deveria ter sido incluído na Desolação de
Smaug por motivos de se encaixar perfeitamente com a cadeia de eventos e a
falta de uma cena conclusiva, Smaug finalmente é derrotado e o povo da Cidade
do Lago, liderado por Bard, vão buscar abrigo perto da Montanha Solitária, nas
ruinas de Erebor. No meio desta peregrinação temos mais um pouco desse
desagradável romance elfo-anão, a chegada do Conselho Branco em Dol Guldur e
Thranduil e o exército élfico de Mirkwood marchando para recuperar uma joia
importante dos elfos que está entre os tesouros dos anões.

Os conflitos já estão
pré-estabelecidos, nisso não há do que reclamar. Destaque para as participações
mais que especiais de Saruman, Galadriel e Elrond contra Sauron e os Nazgul.
Pessoalmente, achei a cena mais poderosa e intensa do filme. Galadriel, mesmo
com seu poder se esvaindo, consegue atuar de forma crucial e com uma referência
especial ao segundo filme da trilogia de O Senhor dos Anéis que fez todos no
cinema vibrarem de alegria misturada com nostalgia. O que poderia parecer
forçado se tornou épico de tão bem feito!
 Sauron, pagando de necromante foda sem saber que a Galadriel iria fazer ele decolar mais que a Equipe Rocket
Nisso Gandalf é
resgatado e já é gancho para voltarmos a Erebor e a tensão que começa a se
formar entre elfos e o povo da cidade contra os anões da comitiva de Thorin e
Bilbo. A doença do dragão que assola Thorin mais parecia um conflito da cabeça
dele e que foi resolvido com muita carga dramática e ao mesmo tempo bem de
graça se você for analisar bem. Enquanto essa crise do Thorin se desenvolvia, o
exército de Azog chega pra colocar ainda mais tensão na trama. Os orcs não tem
fama de serem os mais inteligentes da Terra-média, mas essa estratégia de
atacarem por duas frentes com um recurso surpresa liderado por Bolg foi genial,
o espectador simplesmente aceita que aquele conflito realmente apresenta um
perigo.
Prometeram-nos vários minutos de cenas de batalha, porém, novamente nos foi entregue show off
élfico de Legolas e Tauriel incluso no pacote, o que me deixou decepcionado. Já
sabemos que elfos são fodas, não precisa usar personagens já bem saturados para
nos mostrar isso. Gostei mais das cenas de luta de Thranduil e de Dáin
Pé-de-ferro contra os orcs, esse sim são personagens que a gente esperava que
tivessem cenas fodas, apesar de que tiveram que diminuir o tempo de ação deles
para focar na empreitada de Thorin e os outros para derrotar o líder Azog e
fazer suas tropas recuarem, pois já estavam dando muitas baixas para os elfos e
anões.
Isso é um anão de verdade!
Fora isso, as águias
mais uma vez chegam na hora de finalizar o exército inimigo junto com Radagast
e Beorn. Queria fazer uma menção honrosa ao Beorn, que tem uma participação
importante no livro e deram pro Legolas resolver. Dava pra contar nas mãos os
segundos de aparição dele em cenas rápidas durante a batalha. Se esse filme não
render tanto quanto os outros é certeza que foi por causa dessa necrofilia da
Tauriel com o corpo do Kili. É até um apelo que faço para quem for dirigir o
Silmarillion daqui 20 anos: Não foquem em romances desnecessários.
O filme é mal amarrado
em seu final, parecia que o Peter Jackson queria encerrar logo e botou o Bilbo
para puxar o foco para o Condado e esquecer completamente os assuntos em
Erebor. O que é estranho, pois não mostrou o que aconteceu no final das contas
com quem estava guerreando por lá.
Algumas pontas soltas
também valem ser mencionadas. Azog tinha vermes GIGANTES que causariam a fácil
destruição da montanha e eles foram usados apenas uma vez e é isso ai, já podem ir
embora, pessoal. No trailer nos foi prometido uma cena empolgante numa
carruagem puxada por bodes que eram pra terem chegado junto com o exército
anão, mas nem os pobres animais chegando eles mostraram. Do nada, Thorin e
alguns anões de sua companhia pegaram uns bodes que surgiram do nada e foram
atrás de Azog. Pontas soltas, Peter Jackson, pontas soltas! Meu último problema
é que se esqueceram de matar a Tauriel, não obstante reconheço que isso é algo
pessoal e intransferível de minha pessoa e peço que relevem esse meu ódio pela
personagem (ou não, vamos criar um evento no facebook para dar uma morte
maneira pra ela).
Thorin: “Cara, eu acho que algum dos anões me traiu” 
Bilbo: “Relaxa, não foi um anão”
O forte de “A
Batalha dos Cinco Exércitos” é que ele consegue emocionar e te fazer
refletir que não teremos um filme das obras de Tolkien tão cedo. A trama teve
tantos pontos altos que você sai do cinema sem criticá-lo devidamente, o que é
importante, pois precisamos desses momentos de nerdgasm, que só um filme de fantasia pode nos proporcionar, para
esquecermos um pouco da dura realidade. O terceiro filme da franquia do Hobbit
está avaliado em 8,2 no imdb com metascore 62/100, o que o torna bem de mediano
para bom. Em suma, vale sim o dinheiro do ingresso e valeu a pena ter ido
acompanhar na pré-estreia (meu caso) e não ter qualquer tipo de remorso. Acho
difícil ele ganhar algum Oscar, mas que saiam pelo menos umas 4 indicações,
porque o filme tá valendo pelo menos isso.

Farewell, my friends