Por Rodrigo Pires
            Em meados dos
anos de 2017, o mundo passou por uma imensa destruição. Lavas surgiram no solo
deixando o planeta implodir suas superfícies, chuvas ácidas e pragas infestaram
a vida mundana. Nunca foi encontrado o motivo para tal poder apocalíptico, e no
ano de 2022, quase 80% da população mundial foi dizimada. Pais perderam seus
filhos, suas amantes, as famílias se quebraram e na maioria dos casos com toda
a árvore genealógica destruída. As doenças que antes eram raras passaram a
fazer parte do dia a dia dos sobreviventes. A fome e a morte eram aliadas
destas pessoas que berravam por uma luz de esperança.
            Será que teria
sido uma punição divina? Não foram fiéis com os ideais de Deus e por isso
receberam essa imensa punição? Alguns dos sobreviventes não queriam entender os
atos por meio científico, afinal tudo que existiu de tecnológico foi destruído.
Pequenos grupos religiosos foram se formando ao redor do mundo. De 7 bilhões de
humanos, a contagem atual não chegava à 1 bilhão de sobreviventes.
            Com o passar
dos anos, a raça que é conhecida como um parasita deu jus ao seu nome criando
imunidade contra as doenças, e acabando de se acostumar com a nova forma de
vida. Começou bem simplória, mas a organização dos homens era ágil e bem
focada. Grupos se uniam em determinadas partes do globo e anos mais tarde se
formou o Império. A igreja única, sem cultos, sem hereges, uma única religião
começou a tomar conta do mundo. Não existiam outros grupos religiosos que
fossem contra o primeiro Papa; o honrado e feroz Hrvoje Marušić.
            Seu reinado
diante da Igreja começou em 2045 e se estendeu até sua morte no ano de 2055. O
império ficou forte em apenas 10 anos e uma hierarquia era formada. Os cidadãos
eram obrigados a viverem em cidades religiosas controladas por Bispos ou
Bispas. As ruas e becos eram vigiados pelos Padres ou Madres, pessoas que
seguiam a lei de Deus ao pé da linha, e matavam seus irmãos a sangue frio. Suas
justificativas eram sempre as mesmas: fugiram dos preceitos divinos.
            Os quatro
Arcebispos mandam nos estados e são os superiores dos Bispos. Fazem parte do
conselho que se encontra anualmente com a Papisa e seus dois Cardeais: os três
que comandam os preceitos da Igreja globalmente.
            Ainda não
chegamos à grande evolução humana, alguns dos sobreviventes são chamados de
Ephimius, por algum motivo na vida um de seus desejos foram realizados os
tornando superiores da sua raça. A lei do Império os obriga a seguir a Igreja,
assim que passa ter conhecimento das suas habilidades arcanas, se não obedecer
é caçado e morto por oferecer grande risco aos líderes religiosos. Praticamente
todos os Ephimius são serventes da Igreja. Não se sabe explicar se isso é
genético ou um dom divino. O conselho crê que são mensagens de Deus e com isso,
todos devem seguir a vontade do Pai e fornecer auxílio nas forças religiosas.
            As cidades são
imensos prédios cercados por grandiosas muralhas e com inúmeras catedrais – os
fiéis são obrigados a proclamar sua fé, duas vezes ao dia, todos os dias. Os
quatro estados têm em torno de quatro cidades cada. Ninguém consegue sair ou
entrar nas cidadelas, sem a autorização dos Vigários: ajudantes diretos dos
Bispos. E para sair dos estados a autorização parte diretamente dos
Monsenhores: auxiliares dos Arcebispos.
            Não existe a
virtude da castidade, ou seja, qualquer membro da Ordem pode se casar e ter
filhos. Segundo as regras, todos que vivem nas cidades são obrigados a viverem
pela Igreja. E ao completarem 14 anos, seus filhos são enviados para os
Monastérios ou Conventos nas capitais dos estados.
            É extremamente
vital que desde cedo compareçam com as obrigações divinas. Deus é
misericordioso, e não pode se ver obrigado a punir toda a humanidade novamente.
Os fiéis temem a ordem e o conselho, mas o que podem fazer se não seguir as
regras? Não conseguiriam viver fora dos muros, pois há criaturas divinas da
punição. Segundo o conselho elas comem as almas revoltosas que desobedecem as
leis do Santo Criador.
            O Império
Stanislao se situa, onde no passado, era chamado de Brasil. O lugar foi
considerado milagroso ao não ser tão destruído pelo ódio do Senhor. Os estados
são distante uns dos outros, cada qual ficando em uma região diferente. Pisano
ao Sul, Erminia ao Leste, Lioba ao Oeste e por fim Teresa ao Norte. Todos são
ligados por ferrovias, transportando assim alimentos e mantimentos para todas
as cidades.
            Os estados
ficaram em alerta para um possível grupo de Ephimius que não se uniram a Santa
Ordem, e que estão causando problemas em muitas cidades. Não há mais calmaria,
o toque de recolher é dado às 21 horas e depois disto quem for visto nas ruas é
morto sem misericórdia. O Ex-Padre, da cidade de Udinese, Erick Aupry é o
inimigo número um do Império, desertou suas funções divinas e ainda roubou, há
exatos cinco anos, a criança sagrada. Aupry é um Ephimiu do mais alto nível,
causa baixas no exercito Papal há anos, os Cardeais estão impacientes com a
demora em capturar o satânico, o filho de Belzebu. Alguns nomes dado ao ser
considerado “o filho do Diabo”, baseado exclusivamente em sua habilidade única
abençoada por Deus, mas que a Papisa contesta falando que ele é a obra do Satã.