Por Kim Tavares
A mão esquerda dentro do bolso do
casaco próximo à coxa. Na outra o cigarro que ia de encontro aos lábios
vermelhos do frio. A fumaça não se sabia se era do ar frio ou do calor da
fumaça. Olhou pro céu e via a escassa neve cair. Seus dedos já dormentes e a
touca em sua cabeça começavam a acumular uma fina camada de neve. Viu do outro
lado daquela rua escura uma frenética moça que olhava para os lados da rua.
Parou em frente a ela, do outro lado da rua, encostou-se na parede e apoiou um
pé na mesma. Tragou o cigarro até necessitar de  outro. Via os loiros cabelos da jovem
esvoaçarem com a brisa. Um carro logo apareceu, a mesma sorriu e entrou no
banco do carona na frente. Os olhos negros que a observa se fecharam, ao seu
lado o letreiro neon piscava com mau contato. Afastou-se da parede e olhou o
letreiro. Café. Era o que precisava. Uma dose de café depois de uma dose de
solidão. Um gole amargo para lavar o doce de seus lábios. Amanhã mais uma noite
fria, mais uma espera, mais uma carona e mais um café.